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Os castelos de Menalton

Menalton Braff*

"Quando recebeu o prêmio Jabuti por "À Sombra do Cipreste" (Palavra Mágica, 1999, 142 páginas), em 2000, Menalton Braff foi tratado como um desconhecido. E era. Antes disso, havia escrito dois livros que quase ninguém leu, por uma editora que poucos conheciam, com um pseudônimo que passou em branco pela história.
Alguns meses depois do prêmio, o autor foi tratado como o "novo Raduan Nassar", ao lançar o romance "Que enchente me carrega?" (Palavra Mágica, 2000, 139 páginas). Apesar de Braff já ser então reconhecido como o ganhador do Jabuti, isto ainda lhe era insuficiente para valer uma definição própria.

A leitura de "Que enchente¿" leva automaticamente para a comparação a Nassar, não apenas pela proximidade do estilo e da linguagem.

Além disso, desconsiderando-se os dois livros escritos com o sugestivo pseudônimo Salvador dos Passos, Braff seria então um autor consagrado com apenas duas, mas excelentes, obras. Como Raduan Nassar.

A coincidência foi um prato cheio para aqueles que adoram definições. Mesmo que elas fossem para caracterizar Braff, que as odeia, como já informara por meio do personagem Firmino, em "Que enchente¿": "Das coisas que mais detesto é que alguém me defina. Quanta gente se perde na vida por culpa de uma definição! Chega um sujeito qualquer, sem responsabilidade nenhuma, e inventa os limites, descreve o universo numa frase, bota uma camisa-de-força num cavalo selvagem. Pronto, fode tudo!"

Pois Braff deu o troco naqueles que um dia o chamaram de "desconhecido" ou de o "novo Raduan Nassar". Seu recente romance, "Castelos de papel", só permite uma definição (calma Braff, calma): Menalton Braff é um grande escritor, independentemente do prêmio Jabuti ou da comparação com Raduan Nassar.
Não que a comparação seja desonrosa. Pelo contrário. "Que enchente¿" tem realmente muita similaridade com os dois livros de Nassar, cuja influência já foi admitida por Braff.

Assim como "Um copo de cólera" e "Lavoura arcaica", o romance anterior de Braff foi escrito de uma forma intensa, com poucas vírgulas para o leitor respirar. O recurso é apropriado para desaguar a enchente de pensamentos e angústias do personagem Firmino, um sapateiro que tenta (em vão) mostrar ao mundo que existe arte em sua profissão e que a mulher não deveria tê-lo abandonado.

Com "Castelos de papel", Braff mostra o mesmo vigor, mas muda um pouco o estilo, distanciando-se da metralhadora verbal à la Nassar. O trato com a linguagem continua refinadíssimo, mas há uma pausa poética que lembra a dos contos de "À Sombra do Cipreste", recolocando Braff como um autor de lirismo na dose exata:

"Mas era provavelmente aquela sensação, anunciada despudoradamente por todo o corpo, que sentiu acusada pelo olhar duro-penetrante do sorveteiro, quando se aproximou com a carteira na mão. Os olhos azul-cinza, as rugas profundas do rosto, o cabelo branco e liso em desalinho, o macacão de zuarte surrado, aquela cruz de ferro fechando a entrada do peito, tudo nele uma peça de acusação. Parecia muito cansado. Parecia uma alegoria da derrota".

Vale deixar claro que o objetivo aqui não é afirmar que, ao reaproximar-se do estilo que lhe rendeu o Jabuti, Braff quisesse evitar nova comparação com Nassar. E se quisesse, pouco importaria. A qualidade literária de "Castelos de papel" é superior a qualquer tipo de ilação ou intenção.

"Que enchente¿" é uma obra de certa forma egocêntrica, direcionada por Firmino. Os outros personagens só ganham vida pelos olhos e pensamentos do protagonista, que sempre controla a narrativa e funciona como marionete do autor no domínio da linguagem escolhida. Firmino é a mão e a voz de Braff do começo ao fim do livro.

Em "Castelos¿" aos personagens é permitido um pouco de liberdade, ainda que a obra seja centralizada em Alberto Ribeiro, o personagem-chave do romance. Os coadjuvantes até têm direito a uma participação constante nos diálogos, muito bem explorados pelo autor, para que o leitor dê uma respirada durante as reflexões de Alberto.

Mas que o leitor não se deixe levar por estas tomadas de ar pois, se isto acontecer, será surpreendido no final do livro. E mesmo após algumas releituras da última página terá dificuldade em compreender que o caminho fácil sugerido desemboca no labirinto angustiante de Alberto, camuflado pelos conflitos paralelos da obra.

Alberto, na verdade, é um Firmino de fora para dentro. Enquanto o protagonista de "Que enchente¿" era um personagem interior, que questionava o mundo a sua volta de forma unilateral, Alberto percebe por meio de fatores externos como sua vida se transformou, que o que havia construído não passava de castelos de papel.

Empresário bem-sucedido, apesar da precária formação, Alberto sente seu poder ruir depois que se aposenta. A sucessão de fatos ao seu redor o conduz a um olhar interior, a uma descoberta de que era respeitado pelo que fôra, não pelo que é.

Primeiro, é o filho que desafia o patriotismo do patriarca ao desejar deixar o Brasil. Alberto nega-lhe a ajuda pedida para partir para o Canadá. Na verdade, o que o pai quer é manter o filho e toda a família sob sua égide, num exercício ilusório da continuidade de sua ascendência sobre todos que o cercam.

Depois, é o seqüestro de um amigo empresário, que faz Alberto recear pela própria segurança. Ele sente-se ameaçado por aquele olhar duro-penetrante do sorveteiro, imaginando que fosse um antigo funcionário a persegui-lo. Temendo um seqüestro, Alberto decide então voltar à empresa onde ainda é o maior acionista, para tentar encontrar a ficha do sorveteiro nos arquivos.

O encontro com o passado é difícil e inspira devaneios. A gentil secretária e a possibilidade de terem sido amantes é um tormento para Alberto. E para a própria secretária, que tardiamente questiona se não deveria ter sido mais ousada no assédio ao ex-patrão.

Quando conhece o esforçado novo office-boy da empresa, Alberto relembra seu começo na companhia em que acabou passando a maior parte de sua vida. O boy que respeitosamente lhe arruma um ventilador, no entanto, não faz idéia da trajetória daquele senhor que agora perde tempo com arquivos empoeirados numa sala abafada.

Um homem outrora poderoso, que caminhava pelos corredores cercado de assessores, mas que agora aguarda ansioso pela chegada de uma simples xícara de café.

O Alberto de "Castelos de papel" é uma sucessão de pistas falsas comparado ao Firmino de "Que enchente...". Enquanto a angústia do sapateiro é revelada de maneira clara, apesar da intensidade estonteante do texto do livro anterior, a linguagem mais leve e lírica de "Castelos¿" é traiçoeira, escondendo a profundidade do personagem.

Todos os conflitos em "Castelos¿" são gerados por Alberto ou por causa de Alberto. Os outros personagens desfilam aparentemente soltos, mas não sobreviveriam sem o protagonista. São pequenas peças que vão se encaixando à medida que Alberto vai tecendo seu drama.

Mas ambos, Firmino e Alberto, guardam uma similaridade universal: são essencialmente humanos. Dessa forma, seja um sapateiro, seja um empresário poderoso, eles se igualam na inquietação pelo reconhecimento, ou pela perda dele. Firmino quer ser o que nunca será. Alberto deseja voltar a ser o que nunca mais será.

E Menalton Braff, ao esbanjar talento na construção dos personagens, do texto e da história, mostra em "Castelos de Papel" que é mesmo um grande escritor, o que vale mais que qualquer definição."

(Paulo Krauss é jornalista e escreve para o jornal literário "Rascunho", de Curitiba)

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Sobre o Autor

Menalton Braff: Professor, contista e romancista, Menalton João Braff nasceu em Taquara/RS, de onde saiu muito cedo para cumprir um itinerário nem sempre prazeroso por este mundo de Deus. Abandona o pseudônimo de Salvador dos Passos com a publicação de À Sombra do Cipreste, livro com que ganhou o Prêmio Jabuti 2000. Em novembro de 2000 lança o romance "Que Enchente me Carrega?". Seu mais recente romance é Castelos de Papel.

 

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