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À luz de uma geração

Vivaldo Lima Trindade*

Lima Trindade faz, hoje, sessão de autógrafos da coletânea de contos `Todo Sol mais o Espírito Santo´: `O livro traz uma releitura dos últimos 30 anos´

O escritor brasiliense Lima Trindade, 39 anos, transita no universo literário há alguns anos. Há sete edita a revista eletrônica Verbo 21 (www.verbo21.com.br), publica textos espaçadamente, estuda literatura e atualmente dá seguimento ao mestrado no Instituto de Letras da Ufba. No final do ano passado estreou duplamente em livro, feito que por si só despertou atenção para sua prosa: o romance Supermercado de solidão (LGE, lançado em dezembro) e a coletânea de contos Todo Sol mais o Espírito Santo (Ateliê Editorial), que tem sessão de autográfos hoje, a partir das 16h, na Pronobis Cachaçaria (Jardim Brasil).

Lima Trindade explica que tinha enviado os originais a vários editores, tendo o primeiro vencido um concurso candango e o segundo sido selecionado para a coleção Lê Prosa, organizada pelo escritor Marcelino Freire. Em seu sexto volume, a série tem apresentado escritores promissores ao país. "Uma característica forte da coleção é mostrar a literatura contemporânea, discutir questões do século XX", considera o autor. Todo Sol mais o Espírito Santo, por exemplo, discute temas como a herança da ditadura, a liberação sexual, os penosos problemas políticos e sociais do país, o exagero do cientificismo, as crises existenciais da geração rocker à la Cazuza, confusa e em busca de uma ideologia viável.

"Acho que o livro traz uma releitura dos últimos 30 anos", afirma Lima Trindade, que aponta o conto como a forma mais adequada de expressão da sua geração. Mas que ninguém espere um caráter revisionário nos 13 contos de Todo sol mais o Espírito Santo. O texto que dá título ao livro, por exemplo, embora localize o personagem como integrante de uma nova geração que queria mudar politicamente o país, trata de tema bem mais prosaico. Entre devaneios sobre o mar e diante dele, um jovem desnuda uma nova forma de desejo. Fica completamente embevecido diante de um "notável senhor", espécie de "Deus grego", a lhe seduzir na praia.

Este conto faz parte da primeira parte do livro, que trata da infância e suas descobertas, algumas saborosas, outras dolorosas. Como no belo e enxuto O autógrafo, no qual um menino experimenta a desilusão. No caso, pelo ídolo do futebol, flagrado numa negociata nada lisongeira. Na segunda parte, o livro traz contos que tratam de uma realidade absurda, um pé no fantasioso. Em Trinta e um do doze, o personagem alimenta seu ciclo vital indo a enterros, de conhecidos ou não. É sua neurose particular.

Na terceira e última parte, os textos têm certa ironia, ou "humor pastiche", como prefere o autor. São contos como a A fé do racionalismo, que escolhe novamente o futebol como cenário na relação neurótica que Lionel estabelece com a vida. Ou ainda O anjo loiro no bar ou como eram belos os anos 80, que mistura um monte de referências daquela década. Em texto da orelha, a escritora baiana Állex Leilla destaca o "cuidado com que o autor trabalha um certo desentranhamento do sujeito, que busca captar a poesia nos lugares, pessoas, objetos, situações...´

Declarando-se "apaixonado pelo conto", Lima Trindade concorda com a opinião geral de que o gênero vive uma certa explosão no país, a exemplo do que aconteceu nos anos 70, projetando vários escritores. No entanto, chama atenção para a diferença de cenário e intenções. "Atualmente impera a lógica do mercado. O que temos visto são estas coletâneas temáticas que acabam esvaziando a personalidade do escritor", pondera.

Filho de mãe baiana, Lima Trindade está há quatro anos morando em Salvador. No momento, finaliza dissertação de mestrado sobre os escritores João Silvério Trevisan, Reinaldo Arino e David Leavitz. Os dois últimos representantes, respectivamente, das literaturas latina e norte-americana. Os três são militantes da literatura homossexual e pouco divulgados, sendo que os dois últimos nunca foram traduzidos no país. No segundo semestre, Lima Trindade pretende lançar um livro com os melhores textos que circularam na revista virtual Verbo 21, uma das primeiras especializadas em literatura na web.

Matéria de Ana Cristina Pereira, na Folha da Bahia.



Sobre o Autor

Vivaldo Lima Trindade: Vivaldo Lima Trindade é escritor, assinando apenas Lima Trindade. Tem publicados os livros "Supermercado da solidão" (novela) e "Todo o Sol mais o Espírito Santo" (contos). É também editor do site cultural Verbo 21 em Salvador, Bahia.

 

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