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RESENHAS

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Dívida de Honra

Ronaldo Cagiano*

Na luta pela recuperação de uma temática há muito ausente nos romances contemporâneos, o da narrativa rural ou regionalista, muitos autores têm procurado traçar uma nova vertente, que adotando luz própria, não necessita buscar recursos na prosa provincial dos grandes autores do passado, como uma espécie de clonagem de estrutura.

Quanto muitos já tentaram assemelhar-se a um Guimarães Rosa, a um Graciliano Ramos, a um José Lins do Rego, e caíram, na maioria das vezes, na confusão diccional, perdendo a própria identidade, o autor de “Divida de Honra” desvincula-se de qualquer influência, para firmar o seu próprio estilo e com isso falar de situações já tratadas noutros romances, mas com outra leitura e outros enfoques.

Com “Divida de Honra”, Wellington Lavareda procura traçar um caminho distinto dessas tendências, sem necessidade de requentar velhos temas, buscando, com seus recursos estilísticos e semânticos traçar o panorama de uma realidade interiorana dentro de parâmetros conceituais distintos.

“Divida de Honra” ambienta-se num riquíssimo universo – tanto geográfico, quanto psicológico p em que a vida humana e os conflitos e tensões que lhe são inerentes merecem um tratamento de linguagem bastante singular, com um ritmo e um encadeamento mais fluentes, desaguando num desfecho surpreendente, sobretudo porque Wellington Lavareda foi habilidoso em contar a história pelo fim, de forma sutil e digestiva, levando o leitor a rastrear os acontecimentos com interesse maior.

Lavareda trabalhou não só a psicologia dos personagens, como também os hábitos e costumes atávicos a uma realidade. Nesse romance, vamos encontrar a luta pelo poder, com suas intrigas, suas motivações e suas pequenas tragédias, em que personagens buscam não somente a posse política, mas a posse amorosa, a posse social, a posse moral e com isso reivindicam seu lugar de destaque e precedência na história de CEDRO.

Em Cedro vicejam as contendas pessoais e os encontros, com seus desencontros (e desencantos) fomentam a eterna luta de seres em busca de seus sonhos, nem que para isso tenham que subjugar valores. É o quintal de nossas lutas pessoais e coletivas. E já disse Tolstoi: para ser universal tem que cantar o seu quintal.

A figura lendária de padre Conrado, com seu mito unanimizado pela população de Cedro exerce fascínio e admiração de todos os lados. A cidade convive também com outro mito social, o respeitado coronel Ricardo, cuja autoridade foi conquistada e construída pelo trabalho e honradez, destoando de seu herdeiro, Felipe, forjado no viés da prepotência e da impulsividade, usando de toda sua artimanha para alcançar o estrelato político, visando à eleição à Câmara Federal, com seu coração de pedra, sua ambições e seus métodos.

O romance de Lavareda trata desses conflitos que permeiam a vida de qualquer cidade do interior. A vida rural, com suas projeções telúricas e lúdicas, a disputa das irmãs Dazinha e Dorinha pelo amor de Pedro, filho do capataz, a tragédia da cabana, a morte à espreita, enfim, uma sucessão de fatos instigantes, são alguns dos detalhes que fazem de “Divida de Honra” um relato pungente e poético, que revela um autor em plena maturidade criativa, capaz de construir uma trama que prende o leitor do princípio ao fim. Melhor do que falar sobre o livro é ler e compreender uma história fascinante.

Contato com o Autor do Livro: Wellington Lavareda




Sobre o Autor

Ronaldo Cagiano: De Cataguases, cidade mineira berço de tradições culturais e importantes movimentos estéticos, surgiu Ronaldo Cagiano. É funcionário da CAIXA. Colabora em diversos jornais do Brasil e exterior, publicando artigos, ensaios, crítica literária, poesia e contos, tendo sido premiado em alguns certames literários. Participa de diversas antologias nacionais e estrangeiras. Publica resenhas no Jornal da Tarde (SP), Hoje em Dia (BH), Jornal de Brasília e Correio Braziliense, dentre outros. Tem poemas publicados na revista CULT e em outros suplementos. Obteve 1º lugar no concurso "Bolsa Brasília de Produção Literária 2001" com o livro de contos "Dezembro indigesto”.

Organizou também várias antologias, entre elas: Poetas Mineiros em Brasília e Antologia do Conto Brasiliense.

 

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