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O Velho Hitch

por Manoel Hygino dos Santos *
publicado em 18/09/2008.

Chico Lopes entende de cinema. Não sem razão está no Instituto Moreira Salles, embora também se dedique, com merecido sucesso, à literatura. Seus livros de contos venderam o que podem, no Brasil que lê pouco e em que os costumeiros leitores, não têm o necessário embasamento para conveniente apreciação.

O mesmo acontece com a sétima arte: o que, ao crítico, tanta vez parece uma obra-prima, ao espectador comum não passa de uma grande porcaria. Tampouco o que agradava à platéia adolescente de décadas atrás, satisfaria os jovens de hoje. Os tempos mudam, e, com eles, os gostos.

Comentando Hitchcok, há poucos dias, afirmava Chico Lopes que os espectadores de novas gerações, com o privilégio de poder descobrir a obra toda do diretor inglês em caixas de DVD´s, que são um dos maiores petiscos do consumismo cinéfilo atual, vão certamente se encantar com as obras-primas e nelas descobrir coisas que nem adivinhariam.

Quanto a mim, digo sem medo de causar surpresa: gostei de todos os filmes de Hitch a que tive oportunidade de assistir. É um dos gênios do cinema do século passado, quer dirigisse na Europa, quer nos Estados Unidos. Enfim, como não sou crítico, mas mero diletante, escapo à censura.

Quantos vi? Não sei. Não ia à sala de espetáculos como dever, mas por prazer. Ficava atento à trama e à hora em que o cineasta apareceria na tela, como de praxe, embora por poucos segundos. Os aficcionados aguardavam aqueles instantes com ansiedade.

Foi ele o mestre máximo do suspense, em que o espectador balançava entre o dramático e o histriônico. Não será que, no Brasil, vivemos semelhantes situações, até ou principalmente na área político-partidária?

Chico Lopes tece comentários sobre a notória perversidade do diretor inglês, que devia deliciar-se com o susto dos espectadores diante das cenas. Mas observa que o cineasta aproveitou ao máximo o modelo da boa moça, correta, simplória, como existem em todos os recantos do mundo, em todas as épocas, e que se vêem lançadas no torvelinho das grandes metrópoles.

De uma hora para outra, aparecem os bons-moços, os salvadores da pátria, decididos a estender a mão à garota, ampará-la, movidos pela solidariedade.
No fundo, são integrantes da imensa fauna dos sem caráter ou dos de mau caráter. Hoje, são inúmeros oferecendo oportunidades de estrelato, de carreira no teatro, no cinema. Mesmo em outros países, os países ricos, é claro.

Lá, o destino é outro. Ao contrário dos bons salários, dos anunciados privilégios, se lançam nos cabarés, nos "night clubs", em algum bordel (ou em mais de um), para só receber um líquido mínimo, produto do michê obrigatório. O principal fica para os bons moços, ou melhor, os canalhas.

É um velho jogo sujo, em que as pobrezinhas ainda caem, comprometendo-se para o resto da vida. A isso, acrescenta-se hoje o comércio das drogas, o consumo, o tráfico, com todos os desvios supervenientes que terminam nas delegacias de polícia ou nos necrotérios.

Há os mais condimentados ingredientes de suspense em Hitch. Que o diga Cyro Siqueira, um dos bons nessa praia. Ninguém soube melhor aproveitá-los que o baixinho inglês. Mesmo nos menos cotados de seus filmes, há a marca pessoal.

De uma velha película que guardo resquícios em memória, não sei sequer o título original. Vi-a aqui, no Rio de Janeiro e Montevidéu. Em espanhol, recebeu o nome de "39 escalones", 39 degraus. É um daqueles filmes que obrigam o espectador a levantar-se na ponta da poltrona. Preto-e-branco, com atores que não sei quais.

Não deve incluir-se entre os mais aplaudidos pela crítica e pelo público.

Tinha, contudo, a marca registrada de seu diretor. O suficiente. Não deve estar no rol dos DVDs lançados no Brasil, em simpáticas caixinhas. Chico Lopes e Cyro devem lembrar-se. Eles têm, reconhecidamente, bom gosto.

Sobre o Autor

Manoel Hygino dos Santos: *Jornalista e escritor. Membro da Academia Mineira de Letras, cadeira n. 23.

Livros publicados:
Vozes da Terra , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 1948 , Contos e Crônicas
Considerações sobre Hamlet , Ed. Imprensa Oficial de Minas Gerais , Belo Horizonte , 1965 , Ensaio Histórico – Literário
Rasputin – último ato da tragédia Romana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1970 , Ensaio
Governo e Comunicação , Ed. Imprensa Oficial , Belo Horizonte , 1971 , Monografia
Hippies – Protesto ou Modismo , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1978
Antologia da Academia Montes-Clarense de Letras , Ed. Comunicação , Belo Horizonte , 1978 , Coordenação de Yvonne de Oliveira Silveira
Sangue em Jonestown, uma tragédia na Guiana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1979 , Ensaio
No rastro da Subversão , Ed. Faria , Belo Horizonte , 1991 , Ensaio
Darcy Ribeiro, o Ateu , Ed. Fumarc , Belo Horizonte , 1999 , Biografia
Notícias Via Postal , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 2002 , Correspondências


E-mail: colunaMH@hojeemdia.com.br
Matéria originalmente publicada no Jornal "Hoje em Dia", Belo Horizonte/MG

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