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A ONU ainda é uma esperança

por Carol Westphalen *
publicado em 15/09/2003.

Esse ano, não só o Brasil, mas o mundo perdeu uma pessoa que muito fez pelos direitos humanos nesses últimos trinta anos: Sérgio Vieira de Mello - morto em um atentado em Bagdá em 19 de agosto. Sérgio nasceu no Rio de Janeiro em 1948 e, em 1969, formou-se em Filosofia e Ciências Humanas na Universidade de Paris - mesmo ano em que exerceu seu primeiro cargo no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados em Genebra (Suíça). Durante sua carreira na ONU, Vieira de Mello foi enviado a lugares de conflitos, como Líbano, Camboja, Peru, Bangladesh, Moçambique, Sudão, Kosovo e Timor Leste. Depois de ter sido chefe da missão da ONU em Kosovo (1998), sua missão foi comandar o governo provisório do Timor Leste. Em 2002, o diplomata defensor dos direitos humanos e da paz foi nomeado Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU e, em 2003, foi convocado para representar o Secretário Geral da ONU, com a missão de ajudar na reconstrução do Iraque e apaziguar conflitos da "Guerra Santa". Vieira de Mello teve dois filhos - que vivem com a mãe na França -, e dedicou a maior parte de sua vida a outras vidas.

Ao contrário do que muitos ainda acreditam, a Declaração dos Direitos Humanos aconteceu há dois séculos, pois foi criada em 1789, na mesma época em que Rousseau e Voltaire definiram uma nova maneira de pensar (iluminismo) e a aristocracia era "substituída" pela classe média. A repercussão política do iluminismo aconteceu em 1776, junto à Revolução Americana; antes da Revolução Francesa que aconteceu treze anos depois. As duas revoluções resultaram na impossibilidade de conciliação entre déspotas esclarecidos, chefes de Estado, monarcas e políticos/filósofos com espírito reformista do "enciclopedismo". O poder político, para Rousseau, seria a vontade geral da comunidade - sem que houvessem desigualdades sociais. O racionalismo do século XVIII levou o homem a refletir sobre o regime social vigente e reformulá-lo devido à conscientização sobre as desigualdades resultantes da iniqüidade. A democracia, já "eminente", (até hoje) obriga o indivíduo a ser livre, deixando o Estado me nos responsável. A reivindicação aos direitos humanos existe por causa da tentativa de liberdade individual e a exigência da autoridade do Estado. Não temos mais "Estado", mas o governo continua lá, comendo caviar como quem come arroz e feijão e bebendo litros de Velve Cliquot todos os dias.

Atualmente, existem mais ou menos quinhentas mil organizações sem fins lucrativos residentes no Brasil. A mobilização de recursos privados em benefício do interesse público - área denominada como Terceiro Setor -, teve um crescimento considerável nessa última década, o que fez com que a área se profissionalizasse. O descaso pelos direitos humanos ainda é grande, apesar de já existirem muitas empresas e, até mesmo, pessoas físicas investindo no Terceiro Setor. Embora sociólogos e antropólogos enfatizem, com razão, a grande influência da Segunda Guerra Mundial nas transformações políticas, econômicas e sociais do mundo atual, Marx já dizia que o caos social teve sua origem no início dos tempos, onde já havia uma relação entre ego e interesses - senhores e escravos -, e, como conseqüência, nasceu a desigualdade social.

A Segunda Guerra Mundial foi o conflito mais sangrento e armado que a humanidade já presenciou até hoje. 55 milhões de pessoas morreram - entre estes, 6 milhões de judeus foram assassinados por nazistas -, 35 milhões ficaram feridos, 20 milhões ficaram órfãos e 190 milhões refugiaram-se. Além dos EUA terem confirmado sua supremacia capitalista, a União Soviética passou a influenciar consideravelmente a Europa Oriental e novas técnicas militares de destruição, como submarinos, tanques e aviões, foram confeccionadas, inclusive, a bomba atômica. Embora a Segunda Guerra Mundial tenha deixado marcas profundas na história da humanidade, ela serviu de impulso para a criação de um organismo mundial que pudesse mediar conflitos entre países, evitando, então, desfechos mais graves.

A ONU - Organização das Nações Unidas - foi criada em 1945, inicialmente, por 26 nações e, desde então, vem tentando manter a paz mundial através do incentivo à solidariedade entre as nações e ao respeito pela dignidade do ser humano. A ONU é uma organização neutra que ajuda no desenvolvimento do mundo e diz estar comprometida com todos os povos. Ela já ajudou a negociar mais de 80 tratados internacionais para promover os direitos políticos, civis, econômicos, sociais e culturais, tendo facilitado mais de 180 tratados e convenções em nome do meio ambiente para a recuperação da camada de ozônio, aquecimento da terra, poluição, desertificação e espécies ameaçadas. O desenvolvimento da produção agrícola, do analfabetismo, da pobreza e da saúde em muitos países melhorou graças à atuação da ONU. Ultimamente, a ONU também vem ajudando alguns povos que vivem em regimes sociais extremamente severos que prejudicam o progresso do IDH de suas nações, ou seja, a ONU está disposta, até mesmo, a "curar" a estupidez humana.

"Ele pretendia fazer o que fazia sempre. Uma das primeiras coisas que Sérgio fazia era visitar todas as cidades, todos os lugares, para comunicar que ele estava lá para ajudar e pedir, o tempo todo, que formassem um governo de paz, com iraquianos, não com estrangeiros." - Dona Gilda, 83, mãe de Sérgio Vieira de Mello

Sobre o Autor

Carol Westphalen: Caroline C. Westphalen nasceu em Porto Alegre, mas aos 10 anos foi morar em São Paulo. Formou-se em Comunicação Social e fez pós-graduação em Sócio-Psicologia. Atualmente, mora no litoral do Rio Grande do Sul, faz Psicologia e trabalha como jornalista/colunista.Em 1999, escreveu "Confluência dos Ws" (Editora Writers), uma pequena compilação de crônicas e contos, junto com o amigo Diego Weigelt, crítico de música e radialista. Carol reuniu algumas crônicas em 2004, mas ainda não tem editora. Sinto que meus textos incomodam. Também não gosto de perceber e encarar certas realidades, diz Carol.

Seus textos sobre comportamento e vida também podem ser lidos no site da revista TPM.Carol também escreve um diário: http://www.diariodecarolw.blogger.com.br

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