início da navegação

RESENHAS

(para fazer uma pesquisa, utilize o sistema de buscas no site) VOLTAR IMPRIMIR FAZER COMENTÁRIO ENVIAR POR E-MAIL

Tu é Pedro Nava:um crime que ficou sem castigo

Ronaldo Cagiano*

Tema instigante e inesgotável, o suicídio tem merecido, ao longo dos séculos discussões científicas, filosóficas, religiosas, psico-sociológicas, morais e literárias, fornecendo um amplo mosaico de teorias e explicações. No entanto, não há posição conclusiva sobre o que leva alguém a desistir da própria vida, o que mantém aceso o desafio a tantos quantos queiram entender esse dramático fenômeno humano.

Preocupado em contribuir para o entendimento de tema tão polêmico, o jornalista e escritor Manoel Hygino dos Santos debruça-se sobre a questão, enfocando, particularmente suicídio do escritor mineiro Pedro Nava, que em 1984 matou-se num banco de praça no Rio de Janeiro, situação crivada de mistério e que tem suscitado indagações e suspeitas.

Em "Tu é Pedro Nava:um crime que ficou sem castigo", Hygino, com sua habitual agudeza intelectual, aliado o faro investigativo do jornalista à abordagem literária de cunho ensaístico, explora, sem qualquer vezo sensacionalista ou iconoclástico, o rumoroso suicídio do autor juiz-forano. É a luz de considerações humanas e científicas, filosóficas e metafísicas, busca as razões que o levaram a desistir da vida, depois de experimentar uma afortunada carreira literária e gozar de grande prestígio intelectual.

Traçando sutil analogia entre as circunstâncias que levaram Nava ao gesto extremo e as de outras personalidades nacionais e estrangeiras, Manoel Hygino faz um cuidadoso mergulho na vida e na morte, motivado, inclusive, por sua relação compulsória com essa realidade da Santa Casa de Belo Horizonte, onde é ouvidor.

Discussão ao mesmo tempo pungente e poética, oferece elementos para entendermos o gesto solitário e derrogatório de alguém que, por razões de foro íntimo, dèbacles psicológicas ou outras motivações existenciais, o faz consciente de estar colocando fim a uma angústia não revelada, a um estágio ou sofrimento que não quer exteriorizar, ou dar vazão a um impulso de libertação da própria existência.

Trabalhando nessa profunda investigação, Manoel Hygino abre mais uma picada nesse terreno pantanoso, nesse cipoal contraditório que é a morte por suicídio, um ato absoluto e intrigante, mas nunca vazio de sentido. Se não conseguir aclarar as razões que levaram Nava à decisão irrevogável e consumada, em função da falta de indícios ou motivações aparentes ou quaisquer outras pistas deixadas pelo autor da própria tragédia, de outro lado possibilita um novo olhar, para se compreender por que os escritores se matam, levados ou não por uma especial sensibilidade ou um modo particular de (vi)ver a vida. Na linha de Albert Camus, Manoel Hygino constrói mais um atalho em direção a novas reflexões sobre esse problema filosófico verdadeiramente sério da humanidade, que consiste em questionar "se a vida merece ou não ser vivida".

Sobre o Autor

Ronaldo Cagiano: De Cataguases, cidade mineira berço de tradições culturais e importantes movimentos estéticos, surgiu Ronaldo Cagiano. É funcionário da CAIXA. Colabora em diversos jornais do Brasil e exterior, publicando artigos, ensaios, crítica literária, poesia e contos, tendo sido premiado em alguns certames literários. Participa de diversas antologias nacionais e estrangeiras. Publica resenhas no Jornal da Tarde (SP), Hoje em Dia (BH), Jornal de Brasília e Correio Braziliense, dentre outros. Tem poemas publicados na revista CULT e em outros suplementos. Obteve 1º lugar no concurso "Bolsa Brasília de Produção Literária 2001" com o livro de contos "Dezembro indigesto”.

Organizou também várias antologias, entre elas: Poetas Mineiros em Brasília e Antologia do Conto Brasiliense.

 

< ÚLTIMA RESENHA PUBLICADA | TODAS | PRÓXIMA RESENHA >

LEIA MAIS

Os que estão aí,  por Leonardo Vieira de Almeida.
Os contos reunidos do carioca Leonardo Vieira de Almeida (1971), sob o título Os que estão aí , podem possibilitar a recordação dos Contos cruéis (Iluminuras, 1987), de Philippe Auguste Mathias, o conde de Villiers de l’Isle-Adam, uma das figuras mais emblemáticas na Paris do século XIX.  Leia mais
Além das Nuvens,  por Bruna Longobucco.
Flôres é o que vejo nas nuvens. Além das Nuvens é um livro de sonhos, de fé e de esperança num futuro além de nossos limites.  Leia mais

Faça uma pesquisa no sítio

Utilizando-se uma palavra no formulário, pesquisa-se conteúdo no Sítio VerdesTrigos.

Ir ao início da página