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À Sombra do Cipreste

Menalton Braff*

Ao Sol do Desconforto

(Júlio César de Bittencourt Gomes, professor de literatura e pesquisador bolsista do CNPq, é mestre e doutorando em literatura brasileira na UFRGS - Revista Blau - mar/2001)

Estranhos são os (des)caminhos da literatura. Volta e meia aparece-nos, diante dos olhos, como se nunca tivessem existido antes, autores que, já maduros em anos, nos brindam com obras de um frescor há muito perdido em certos figurões das letras e (o que é trágico), em muito jovem iniciante que já nasce "envelhecido" para a literatura, preso a vícios e cacoetes próprios da prosa insossa e inofensiva que impera no mercado.

Autores como Valêncio Xavier (1933), cuja obra, desvinculada dos modelos simplistas vigentes, recupera a alegria e o lúdico da literatura, ou Menalton Braff (1938), que do interior de São Paulo lança aos órfãos do desconforto da verdadeira literatura os contos d À Sombra do Cipreste, deveriam, nesse contexto, ser saudados como heróis. Seja por um fenômeno fashion (é de bom tom publicar, vez em quando, um autor marginalizado, cult), seja por convicção, mesmo, num trabalho que surge e se impõe, a aposta dos editores em autores que nunca foram e provavelmente nunca serão bestsellers garante um pouco de vitalidade a um panorama saturado pelas literaturas de diluição e inércia dos que deitam nos próprios louros, e por uma crítica acomodada que se recusa a ler o que não está no cânone.

O livro de Braff (prêmio Jabuti de melhor ficção do ano), por trás do aparente "realismo" de suas histórias, traz embutido um germe de estranhamento que transcende o campo abarcado por cada um dos contos e instaura, sutilmente, o desconforto que se esconde por entre os anestesiamentos cotidianos. Tudo o que parece simples, natural, oculta uma dimensão outra, desconhecida, prestes a perfurar a superfície lisa das coisas. A sabedoria da avó do conto que dá título ao livro ("a idade já me deu o direito de manter minhas opiniões em cofre escuro...") não esconde o despreparo perante o mistério de ser; mistério esse que vai da constatação algo assustada da natureza humana ("Suas risadas cheias de intenções ambíguas me inquietam, não porque me sinta ameaçada, mas por ver nelas muito da essência humana - caldo grosso e corrosivo, quase nunca inocente."), à perplexidade resignada diante da impossibilidade de dizer o indizível ("...que posso eu dizer aos rapazes sobre a morte e que eles possam entender."). Mesmo a certeza final, aparentemente tranqüila, de que "não há nada fora de lugar, todos os papéis cumprem-se rigorosamente." é, também, um índice de desconforto, de impossibilidade de romper com uma ordem externa perene, imutável.

Não é outro o desamparo da narradora de Terno de Reis que à certa altura, o tempo passado, os arrependimentos cristalizados, se pergunta, em vão: "Em que poderia a vida ter sido diferente? Estremeço com essa pergunta e meus olhos secos e abismados não encontram resposta." O abismo, mesmo, parece sempre à espreita, e também por ele parece chamada a Jandira, de Anoitando, outra das inquietas mulheres de Braff, meio aparentada, esta, da Eveline do conto homônimo de Joice, que, prestes a embarcar com o namorado para a Argentina, decide abandoná-lo para nunca mais, ao passo que Jandira, perante Gaspar, parece sucumbir diante da materialidade inóspita do real que, em tudo, desmente o evanescente do sonho.

O desassossego dos personagens de Braff, a sutil e inexplicada sensação de estar sempre um pouco aquém (ou além) do lugar onde se deveria estar, sentindo, sempre, "um cheiro forte de estrada que ficou na cadeira vazia", como o narrador de outra bela história, O relógio de pêndulo, constata, não deverá soar estranho a quem habita este nosso esquisito mundo. Somos, todos, afinal, muito parecidos, e o mais íntimo medo de cada um é o mais universal dos sentimentos. As histórias de Braff nos fazem lembrar disso o tempo todo, e assim nos dão aquela difícil alegria de que falava Clarice Lispector.

Li, em algum lugar, que Menalton Braff é um otimista. Não será, porém, um otimismo ingênuo e descuidado o dele. É, antes, o de alguém que, liberto das ilusões apaziguantes que a vida, sabemos, pode gerar, crê ainda numa instância em que o homem pode tudo: a arte. O que mais esperar de um escritor?

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Sobre o Autor

Menalton Braff: Professor, contista e romancista, Menalton João Braff nasceu em Taquara/RS, de onde saiu muito cedo para cumprir um itinerário nem sempre prazeroso por este mundo de Deus. Abandona o pseudônimo de Salvador dos Passos com a publicação de À Sombra do Cipreste, livro com que ganhou o Prêmio Jabuti 2000. Em novembro de 2000 lança o romance "Que Enchente me Carrega?". Seu mais recente romance é Castelos de Papel.

 

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