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RESENHAS
Poesia Pois é Poesia
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Poesia pois é poesia, cuja primeira edição é de 1967, inclui praticamente toda a obra poética de Décio Pignatari, criada ao longo de cinco décadas, além de traduções e inéditos, e exclui apenas umas vinte composições dispersas em publicações variadas.
De modo geral, percebe-se que a disposição do autor é antes a de cortar do que a de acrescentar, mesmo sendo relativamente pouca a sua produção. Pouca, mas decisiva, tanto para a formulação das possibilidades efetivas do concretismo (seu lance de maior alcance, embora não exclusivo), quanto para o restante da sua produção, seja ela prosa de ficção, ensaio semiótico, literário, artístico ou arquitetônico. No centro de toda sua atividade intelectual está, pois é, a poesia.
Divide-se a obra em três partes: a primeira - Poesia Pois É - reúne a base de sua formação poética, em versos. Há ali momentos admiráveis, como, para dar o exemplo mais contundente, o poema O Jogral e Prostituta Negra. A segunda parte, sob a rubrica Pois é Poesia, apresenta o momento de mutação representado pela poesia concreta, no qual tem papel destacado, além de ser autor do poema que talvez seja o mais bem realizado de todo o projeto concretista Babe Coca.
A terceira parte do livro, Poetc., depois dos chamados poemas semióticos ou sem palavras, significa uma retomada de quase tudo o que fez antes, incluindo-se aí o antes desprezado verso, numa abertura que visa a captar encantos da arte poética, antiga e nova, de modo a admitir uma tradição sem tornar-se tradicionalista.
Nesta última parte, na qual há também vinhetas visuais e musicais, o número de traduções alcança o das composições originais. Então, além da imitação das palavras sedutoras de Chénier, Villon, Shakespeare, Emily Dickinson e Browning (das partes anteriores), vem a dos versos de Rilke, Horácio, Arquíloco, Heine, Goethe, Marguerite Young, Corso, Apollinaire, Iqbal, Bashô, Baudelaire, Vidal.
Em quase tudo, o lírico, o ideológico, o irônico, o satírico.
A poesia modernista, iniciada com a Semana de Arte Moderna de 1922, bem como a poesia concreta, lançada em dezembro de 1956 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, levaram algum tempo para atingir um público mais amplo. Mas, hoje, tanto uma quanto a outra são decisivas para a compreensão do que se entende por poesia brasileira do século XX. Enquanto a primeira construiu a sua novidade sobre o lema da libertação da suposta camisa-de-força imposta pelas rimas e métricas, a segunda o fez em torno do combate à exclusividade do verso e do logos sobre os vários sentidos da poesia, incorporando ao seu fazer, com máximo destaque,o significante, o signo visual. Este livro apresenta cinqüenta anos de poesia de Décio Pignatari, um dos criadores do movimento concretista e de uma poesia em que a palavra vira figura sonora, visual, quase táctil.
Sobre o Autor
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Da Redação de VERDESTRIGOS.ORG
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