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RESENHAS
Afinadores de Piano
Leonardo Teixeira*
Recebo com alegria o livro de contos de Leonardo Teixeira. "Afinadores de Piano", o conto que dá título ao livro, recebeu o Prêmio Célia Câmara no Concurso Sesi Arte e Criatividade 2001, em Goiânia/GO. Será, com certeza, uma leitura prazerosa.
www.verdestrigos.org
"Dentre céleres e serelepes palavras, pingam as caladas, que ensurdecem os ouvidos com tanto silêncio. Outras são moderadas, entristecem os alegres e alegram os tristes. Há palavras plenas em minhas letras de inspirações puras; o texto não é só mero resultado, ou obra de arte lapidada, fruto do suor, expressa muito mais as labaredas de minha alma em chamas, a doçura e a fantasia da própria mente elétrica". (Afinadores de Piano).

É ficcional. Confessional. Contido. Derramado. Lírico. Telúrico. E otimista...Um escritor imerso nas águas do experimentalismo psicocorporal com o texto, onde cada peça da sua galáxia literária é um longo (e doloroso) fragmento da angústia em movimento: tudo golfado pelo ego pensante da sua inspiração. Cava excêntrica do psicologismo quimérico e humano-nosso, plural, singular, década dor e sonho. A linguagem que Leonardo Teixeira manuseia, como artesão do seu ofício, está impregnada, também, de ressonâncias intimistas (o diálogo dele/autor, com ele/pessoa) - com triunfo para a voz dos solilóquios.
Ele imagina muito, é fantasmagórico, e até adora uma incursão pelas praias do absurdo, mesmo porque o que faz o texto é a imagem e não a palavra. É ler essas digressões da inventiva criadora de Leonardo e perceber que toda sua obra está salmilhada de imagens tropológicas, surrealistas, hiperbólicas - num ritmo assustador, embora sua literatura seja otimista, fascinante.
Uma coisa é certa. Afinadores de Piano foi escrito sob os jatos torrenciais de uma sôfrega inspiração, "ponto de intersecção entre o poder divino e a liberdade do homem". Sua literatura é uma floresta de símbolos." Gabriel Nascente
Trecho de "AFINADORES DE PIANO"
Carrego no bolso da camisa, o bolso largo e profundo de um poeta, a sensibilidade de uma caneta pulsante, que dança nas linhas de um papel, em ritmos bailados, às vezes sem uma coordenação precisa. Cada palavra, uma batida; cada batida um coração vivo; cada letra que a caneta contorna e dispara é um tiro de uma metralhadora incessante, que sibila o barulho de um beijo estalado, o abrir e fechar dos fêlcros, o estourar das bolhas de plástico que envolvem como um casulo as embalagens. A palavra é a melhor arma para vencer a batalha dos diálogos, a melhor influência que qualquer retórica possa hipnotizar, o melhor recurso para a compreensão, embora muitas vezes não alcançada.
Dentre céleres e serelepes palavras, pingam as caladas, que ensurdecem os ouvidos com tanto silêncio. Outras são moderadas, entristecem os alegres e alegram os tristes. Há palavras plenas em minhas letras de inspirações puras; o texto não é só mero resultado, ou obra de arte lapidada, fruto do suor, expressa muito mais as labaredas de minha alma em chamas, a doçura e a fantasia da própria mente elétrica. Tais palavras apaziguam os raivosos e igualam os racistas que conseguem infiltrar-se no mar de entrelinhas, absorvendo toda a essência dos brandos sentidos que expõem a sabedoria do tempo: nada mais perfeito do que o equilíbrio! Palavras que dão princípios aos imorais, força aos debilitados, ânimo aos desalentos, perdão aos que bebem o veneno da vingança, esperança aos exasperados, fé aos descrentes; palavras que saciam os carentes, esclarecem os confusos, medicam os enfermos, expulsam a peste, iluminam os que vivem no escuro, mesmo os que alcançam o brilho cintilante das estrelas e penduram no calor dos seus abraços.
Sobre o Autor
Leonardo Teixeira:
Nascido em Goiânia/GO, aos 21/03/1979, com 24 anos, Leonardo Teixeira é bacharel em direito pela UFG, autor do livro Mergulhando no Pensamento (poesias críticas - 1 premiação nacional) e do livro de contos Afinadores de piano (contos - 10 premiações nacionais e 1 internacional), membro da União Brasileira de Escritores, seção de Goiás, membro correspondente da Academia Taguatinguense de Letras, membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba-SP, cronista quinzenal e eventual articulista do jornal O Popular.
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