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Édipo: o ponto de partida

Lucilene Machado*

O percurso do escritor Ivo Korytowski para apresentar seu processo criativo tem início em Édipo – uma coletânea de trinta e cinco contos publicada pela editora Ciência Moderna que também está inaugurando sua linha de ficção. Do primeiro ao último conto, Korytowski permanece fiel a um estilo marcado pela pós-modernidade, valendo-se dos estrangeirismos, gírias, linguagem internáutica e até trava-línguas para condensar sua visão de mundo num inquérito, aparentemente, filosófico, mas que inclui teologia, história, política, culinária e romance. Muito romance. Almas Gêmeas, título de um dos textos, é também tema recorrente em grande parte da obra que situa o homem como um ser carnal seduzido pelas aparências e que vive as relações efêmeras da contemporaneidade.

Ivo Korytowski é autor inquieto, que ousa penetrar o cerne de qualquer tema. Nenhum assunto é grande ou pequeno demais que não mereça ser explorado. Ele movimenta-se sobre uma complexa rede de inferências que inclui desde assuntos de ordem mitológicas até reflexões de uma barba ou uma apologia à punheta – neste último se aproxima da escrita de João Gilberto Noll, usando para a abordagem um tom erótico fescenino.

Mas, se o leitor desavisado pensa encontrar uma linguagem simplista ou vulgarizada, engana-se. A viagem é permeada por referências, reordenação de textos, digressões, intertextualidades, enfim uma linguagem singularizada, e, como versa Alfredo Bosi, nem por isso isolada. O autor sabe como, por quê e para quê se cria. Sabe que ninguém poderá dizer mais sobre um texto que o próprio texto literário, e para isso usa o recurso da metalinguagem demonstrando preocupação com a construção e rigor dos contos, ora dirigindo-se ao leitor, ora dialogando com o narratário que chega a aparecer na figura de uma platéia ou como leitor específico. Um exercício que lembra o processo de escrita machadiano.

Para fechar, vale lembrar ainda que Édipo tem um belo projeto gráfico e prefácio do Prof. Ivan Cavalcanti Proença a quem o autor atribui esta citação dentro do conto Alma Gêmeas: "a literatura desrealiza o real pra realizar o fenômeno literário". Ivo Korytowski aprendeu a lição.


Sobre o Autor

Lucilene Machado: Lucilene Machado é professora, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e da UBE-MS. Tem três livros publicados, sendo poesia, literatura infantil e contos. Possui artigos publicados na Itália, Espanha e Venezuela. Atualmente é mestranda em Estudos Literários com ênfase na obra de Clarice Lispector.

 

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