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Belo

Miguel Sanches Neto*

Rogério Miranda poderia repetir, mudando o nome da cidade, a exclamativa de Mario Andrade em Lira Paulistana: Belo Horizonte, comoção da minha vida!

Neste livro de crônica, que se inscreve numa arte dominada como pouco pelos mineiros, Rogério reverencia sua falsa cidade natal, a capital mineira, para onde se mudou aos cinco meses de idade, vindo de Alfenas, e em cujo solo lançou raízes profundas.

O que tanto encanta o cronista em Belo Horizonte?

A cultura? A movimentação da metrópole? Os bairros ricos?

Nada disso, a sua é a cidade vista a partir do centro tumultuado e sujo, pátria de gente simples, do homem sofrido e lírico, dos lutadores. É principalmente esta face pobre da cidade que comparece em seu texto largo de afetos, mas que não se rende ao sentimentalismo. E é a partir desta comunhão com a multidão anônima que o cronista vai, aos poucos, retomando a outra cidade, a que ficou no passado e que o habita com a teimosia das cicatrizes.

Nos textos iniciais, temos o cronista viajando a urbe de agora, em suas contradições, que vai do poético ao violento, mas aos poucos os endereços guardados nesta caixinha de fósforo que é a memória vão tomando corpo e descobrimos as razoes deste amor comovido pela cidade sofrida e solícita - o cronista cresceu em regiões periféricas, num contato telúrico com a cidade que ia se erguendo contra os sonhos do menino, mas sempre com a presença participativa dele.

Rogério Miranda é, antes de tudo, um cidadão que vive a cidade, de forma crítica, mas também e principalmente de forma contemplativa. E desta sua adesão incondicional a este espaço nasce a força de seus textos - ora crônicas jornalísticas, ora poemas líricos, ora pagina de reminiscência.

A crônica, mais do que qualquer outro gênero literário, é um espaço autobiográfico. Lendo os textos de BELO, título que condensa a visão positivadora do autor, encontramos um homem bom e simples, que freqüenta estas paginas como se sentasse numa mesa de bar ao nosso lado, cheio de historias e de demonstrações de companheirismo.

O leitor não estabelece, por isso, uma relação formal de leitura com este livro. Ele se entrega de imediato a uma amizade, pelo autor e por sua cidade.

Sobre o Autor

Miguel Sanches Neto: Escritor paranaense e crítico literário, assinando coluna semanal no maior diário do Paraná, a Gazeta Povo (Curitiba), tendo publicado só neste jornal mais de 350 artigos sobre literatura, fora as contribuições para outros veículos, como República e Bravo!, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo) e Poesia Sempre e Jornal do Brasil (Rio de Janeiro).

 

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