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Os Mitos em Nós

Rubens Shirassu Júnior*

O antropólogo Joseph Campbell realizou um estudo detalhado sobre a presença da mitologia no universo humano e chegou a interessantes conclusões: Todas as narrativas, conscientes ou não, surgem de antigos padrões do mito e todas as histórias podem ser traduzidas e dissecadas na Jornada do Herói (que explicarei em outro artigo). Em seus estudos sobre mitos mundiais, ele descobriu que todos eles são a mesma história, porém contadas com inúmeras variações e adaptadas à realidade de quem a conta. Seus detalhes são diferentes em cada cultura, mas, fundamentalmente, são sempre iguais. Ainda declara Campbell, "...toda cultura antiga e pré-moderna utilizava uma técnica ritmada para contar histórias retratando os protagonistas e antagonistas com certas motivações e traços de personalidade constantes, num padrão que transcende as fronteiras da língua e da cultura".

Pela grande influência das culturas do entretenimento e do consumo, junto com os avanços científico e tecnológico da raça humana, os mitos tiveram sua importância significativamente reduzida, uma vez que a cultura moderna colocou sua fé na ciência e na religião. Conseqüentemente, por vários séculos o surgimento de novos mitos foi praticamente nulo. Porém, com a remodelagem do cinema em produções ricas e com grandes efeitos visuais, os mitos novamente ganharam seu espaço, agora não contados de pai para filho como acontecia antigamente, mas através de meios audiovisuais, e difundidos ao redor do mundo.

No final dos anos 70, um jovem cineasta americano, admirador de Joseph Campbell, resolveu criar uma nova mitologia, que pertencesse ao mundo em que vive e, com elementos do seu tempo. Esse cineasta chamava-se George Lucas, conhecido hoje por inúmeros filmes de sucesso, mas, principalmente, pela concepção da trilogia de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que apresenta elementos estudados e escritos por Campbell, em sua obra O Herói de Mil Faces. Se assistidos sem maior profundidade, os filmes da trilogia não passarão de mais uma história de aventura, um conto de fadas onde o herói salva a princesa das forças das trevas. Então, qual a razão do grande sucesso de bilheteria causado pelo filme na época em que foi lançado?

Um dos motivos, sem dúvida, foram os efeitos especiais utilizados por George Lucas, que estabeleciam um novo padrão nos filmes de ficção científica e que eram muito avançados para seu tempo. Mas, esse não foi o único motivo responsável pela existência de milhares de fãs do filme por todo o mundo. A razão foi a composição da história e dos personagens da história, repletos de simbologia e ligações com aspectos psicológicos. Temos a presença do herói, que Campbell cita em sua obra, seguindo sua jornada, no início do filme na etapa denominada Chamado à Aventura e termina na Ressurreição e na volta com o Elixir (estas etapas serão explicadas num próximo artigo).

Dentro da história se incluem também os arquétipos (termo usado pelo pensador Carl Jung em muitas de suas obras e, posteriormente, farei um texto específico), como o Herói, o Mentor, o Guardião de Limiar, o Arauto, o Camaleão, o Pícaro e a Sombra, cada um com sua função (dramática e psicológica) definida na história. Estes seriam os ingredientes principais para o sucesso de Guerra nas Estrelas (Star Wars), a utilização destes símbolos universais que fazem com que os personagens sejam facilmente compreendidos e que haja empatia entre eles e o público.

Sobre o Autor

Rubens Shirassu Júnior: Designer artístico, jornalista e autor entre outros de Religar às Origens (Ensaios, 2003) e Oriente-se: Manual de Procedimentos no Japão, 1999.
É o autor da coluna OLHO MÁGICO na VERDES TRIGOS.

Contato: jrrs@estadao.com.br

Veja também o "ORIENTE-SE: Manual de Procedimentos no Japão"
Edição Independente de Rubens Shirassu Júnior
Site do Livro: http://www.stetnet.com.br/orientese/

 

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