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Sinfonia em Branco

Adriana Lisboa*

A história de duas irmãs é o fio condutor do novo romance de Adriana Lisboa. O enredo desenvolve-se sem alarde e, através de breves relatos vividos ou imaginados, de descrições que se intercalam entre a vida e a memória, de diálogos e silêncios, o leitor se envolve no mundo de medos e pequenas maravilhas que cerca Maria Inês e Clarice. A infância na fazenda, os amores, a presença marcante do pai, os casamentos, as viagens, os descaminhos, as dolorosas tentativas de entender, tudo se entrelaça numa história carregada de intenso lirismo.

Sinfonia em branco é um romance desenhado a bico-de-pena. Cada frase parece ter sido escrita com a precisão e a delicadeza necessárias à elaboração de um retrato imaginário, no qual se possam reconhecer os traços de vidas miúdas, vividas à sombra. Quase nada acontece e tudo acontece na história das irmãs que vivenciam, cada qual a seu modo, uma experiência que vai marcá-las para sempre. Mesmo seguindo por caminhos diversos, Maria Inês e Clarice irão manter por toda a vida a cumplicidade de quem divide um segredo.

No plano maior da narrativa, alguns personagens de Sinfonia em branco vão construindo seus próprios relatos, fadados a não ter destinatários. Otacília, Afonso Olímpio, Tomás reescrevem, no interior do círculo traçado pela história das duas irmãs, suas histórias particulares. São relatos montados, não a partir do que aconteceu, mas do que poderia ter acontecido. Breves, intensas e silenciosas narrativas do que não foi, do beijo não recebido, da palavra não dita, do gesto interrompido, do gesto não interrompido.

Como no quadro de Whistler que dá título ao livro, Adriana Lisboa elabora uma "poesia da visão", conferindo ao romance uma leveza poucas vezes encontrada na prosa brasileira das últimas décadas. Sem aderir a modismos estéticos de qualquer natureza, a autora vem moldando uma forma própria de escrever, numa prosa marcada pela habilidade de tratar de forma singela e sedutora temas tão complexos como o desejo, a interdição, a culpa. Com seu novo livro, a escritora reforça o que já se podia entrever no primeiro romance, Os fios da memória, tão bem recebido pela crítica: um estilo refinado, que se ergue nos detalhes, nas filigranas, nas rachaduras, poderosas e sutis, do cotidiano. (sinopse - Editora Rocco)

Sobre o Autor

Adriana Lisboa: Adriana Lisboa nasceu em 1970, no Rio de Janeiro, e cresceu entre a cidade e a fazenda de sua família no interior do estado. Morou em Brasília, Paris e Avignon. Formada em música, foi cantora, flautista e professora. Seu primeiro romance, "Os fios da Memória" (Ed. Rocco, em 1999) foi sucedido por "Sinfonia em Branco" (Ed. Rocco, em 2001), que lhe valeu o Prêmio José Saramago (primeira brasileira a conquistar o prêmio), concedido pela Fundação Círculo de Leitores em Portugal. Em 2003 publicou seu terceiro romance "Um Beijo de Colombina" (Ed. Rocco). Pós-graduada em Letras, Adriana já traduziu vários livros, inclusive pela Ediouro e em um só volume "Frankenstein", de Mary Shelley; "Drácula", de Bram Stoker; e "O Médico e o Monstro", de R.L. Stevenson, e pela Rocco o dicionário "O Pequeno Rebelde", da francesa Claudine Desmarteau.

 

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