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Pelo Instinto do Prazer e Vinho

por Rubens Shirassu Júnior *
publicado em 24/01/2005.

Como um afresco da decomposição da civilização romana, Satyricon de Petrônio (tradução de Sandra Braga Bianchet, editora Crisalida, 328 págs.) apresenta os antecedentes de Roma, revelando com um frescor intenso o cotidiano da grande civilização que sucumbiu aos próprios vícios. Mas, não é feito apenas de vícios o panorama descortinado por Encolpio, o viajante eleito como guia desta viagem imaginada por Petrônio em seu romance, escrito nos tempos de Nero, e traduzido por Fellini, em 1969, como um sonho cinematográfico de primeira grandeza.

Tudo no livro compõe um clima de realidade, de túnel do tempo, onde o leitor sente-se transportado, como se vivesse nos dias de Petrônio. O livro é um mosaico um tanto surrealista da Roma pré-Nero. A história conta as aventuras de dois estudantes, Encolpio e Ascilto, ambos desejando o jovem Giton, de 16 anos. Eles embarcam em uma viagem, como escravos, e passam por várias situações. Situações uma mais estranha que a outra. É o estudante Encolpio, em todo caso, quem vai abrir o caminho, incendiado pela paixão contrariada. Ascilto, parceiro de Encolpio, traiu-o, levando consigo seu belo escravo adolescente, Giton. Não contente, Ascilto vende o rapazinho ao ator Vernacchio, que o coloca entre as múltiplas atrações de seu teatro de variedades - onde um dos espetáculos consiste na mutilação de prisioneiros, princípio do Teatro da Crueldade que Antonin Artaud lançou no início do século 20.

Na viagem, o adolescente Giton encontrará um novo e providencial amigo no velho poeta Eumolpo. Verdadeiro filósofo, o homem despertará em Encolpio as pistas de uma sabedoria experimentada, onde não faltam pitadas de melancolia e lucidez. Eumolpo sabe que a verdadeira arte não costuma andar de mãos dadas com a riqueza - mas que a recíproca também é verdadeira. E dá ao estudante um exemplo vivo desta lição ao conduzi-lo a um banquete na casa de um rico homem, que não se conforma somente com seu poder, mas insiste em cometer versos da pior espécie, ou plagiá-los dos verdadeiros poetas.

Não há psicologia a esperar destes personagens levados pelos instintos e pela necessidade, vivendo o momento presente - um detalhe que com certeza fascina o escritor Petrônio. Estamos falando aqui de uma civilização pagã, pré-cristianismo. No romance tudo é muito exagerado, desde as reações dos personagens, atéelementos hetero-diegéticos, tais quais, o figurino e termos populares da época entre outras coisas. O livro mostra bem esse pandemônio que era Roma no início do cristianismo. Muita luxúria, gulodice, falta de higiene e sistema com escravos. O sexo transborda em Satyricon, a grande subversão é a transcendência do prazer carnal, sem culpa e sem castigo. Toda a exuberância visual o autor transpôs com maestria, construindo uma Roma que, antes de ser histórica, é mítica. Os personagens que desfilam podem estar longe da profundidade psicológica dos dramas burgueses, e por isso, Satyricon parece mais uma grande colagem de situações, um gigantesco afresco. Sua força está em aproximar o público de suas pulsões mais profundas ou, como queriam os gregos, nos reaproximar dos deuses que animam a vontade humana. Mas, talvez, como o próprio Pasolini admitiu pouco antes de morrer, ao refletir sobre o Satyricon: "O mundo contemporâneo não temmais a liberdade (ou a coragem) para encarar essa mistura de ficçãoe realidade sem certo escárnio".

Sobre o Autor

Rubens Shirassu Júnior: Designer artístico, jornalista e autor entre outros de Religar às Origens (Ensaios, 2003) e Oriente-se: Manual de Procedimentos no Japão, 1999.
É o autor da coluna OLHO MÁGICO na VERDES TRIGOS.

Contato: jrrs@estadao.com.br

Veja também o "ORIENTE-SE: Manual de Procedimentos no Japão"
Edição Independente de Rubens Shirassu Júnior
Site do Livro: http://www.stetnet.com.br/orientese/

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