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Não dão folga

por Manoel Hygino dos Santos *
publicado em 07/06/2004.

Os costumes eram outros, outros os tempos, outras as pessoas. Quando John Mawe, o primeiro viajante estrangeiro que penetrou Minas, autorizado pelo príncipe regente, deparou o que não esperava. Em Borda do Campo, abrigado por família de boa educação, o chefe o apresentou à esposa e filhas. Até ali, as senhoras que conhecera, em outros lugares, ocultavam-se à sua chegada e não apareciam.

Era daquele tempo. Frieiro conta que, nas fazendas e casas grandes, quando havia gente de fora, as mulheres não se assentavam à mesa. Só raramente apareciam para conversar, até escassos eram os cumprimentos. Eschwege relata que as senhoras e senhoritas se precaviam para não serem vistas por estranhos. Reporto-me ao assunto para registrar como até certo instante da história de nossas letras as mulheres passaram veladas. Raros os nomes que apareciam, sobretudo em Minas, em que muito se escrevia, em prosa e verso, mas pouco se publicava. Helena Morley, por exemplo, cobriu com seu diário de "Minha vida de menina", de 1893 a 1895, mas o livro só saiu em 1942.

Depois, dentre outros talentos, apareceram Lúcia Miguel Pereira, nascida em Barbacena, em 1903, romancista, crítica literária, autora de livros infanto-juvenis; Ana Amélia Carneiro de Mendonça, carioca, criada em Minas, que conseguiram projeção nacional com suas obras. As mineiras, de nascimento ou adoção, começavam a sair do casulo.

A partir daí, muitos valores se revelaram no romance, no conto, na poesia, entre nós, do sexo feminino. Não havia necessidade mais de se ocultar, ou razões.

As mulheres do Brasil já estão, hoje, em igualdade de condições na produção. "Contos de Escritoras Brasileiras", de Lúcia Helena Vianna e Márcia Ligia Guidin, pela Martins Fontes, demonstra-o, à suficiência. A "Antologia do Conto Brasiliense", Projecto Editorial, organizada por Ronaldo Cagiano, editada este ano, acrescenta nomes: Aglaia Souza, Alciene Ribeiro Leite, Astrid Cabral, Dinah Silveira de Queiroz, Josélia Castandrade, Lucilia Garcez, Margarida Patriota, Maria Cilene, Nilce Coutinho, Regina Stella, Rosângela Vieira Rocha, Ruth Silveira Jardim, Stela Maria Rezende e Zita de Andrade Lima. Deixei para último Branca Bakaj, presidente da Associação Nacional de Escritores (ANE), que desenvolve outras atividades literárias.

Mas as mulheres se abriram também para a poesia, que inicialmente lhes pareceria campo mais apropriado. No que tange a Minas Gerais, há de se conferir as autoras inseridas em "A Poesia Mineira do Século XX", de Assis Brasil. Nomes expressivos por seus méritos, ali aparecem: Henriqueta Lisboa, Cleonice Rainho, Yeda Prates Bernis, Laís Corrêa de Araújo, Elizabeth Rennó, Lina Tâmega del Peloso, Bernardete Campos, Adélia Prado, Maria José de Queiroz, Imah Thères, Marta Gonçalves, Elizabeth Gontijo, Maria Lúcia Simões, Rita Espechit.

Pela seleta elaborada pelo escritor nordestino, bem como pela cuidadosa coletânea de contos feitas por Ronaldo Cagiano, tem-se uma idéia bastante consistente da significação da mulher na prosa e na poesia em nosso século. Ela não mais se enclausura, como as senhoras e senhorinhas (sobretudo estas) das fazendas de Minas Gerais, que desapareciam quando os viajantes se aproximavam.

Agora, não. Elas saem, através do que criam, em busca de seus leitores, em qualquer parte do país e do mundo. É questão de oportunidade, além evidentemente de competência e disposição. Elas invadem todos os temas, tempos e lugares, passeiam pelas várias escolas ou tendências, e revelam sua força.

Não há mais o que ocultar ou disfarçar. Se houve, como houve, preconceito masculino, agora ele é pretérito, está morto ou disfarçado. As mulheres lutam em igualdade de condições, até superiormente muitas vezes, com os homens. Nas letras, como na pesquisa, nos laboratórios, na cátedra, no cinema, no teatro, na TV, na advocacia, na medicina, enfim em todos os ramos de atividade. Se faltar algum, que tomem cuidado os de sexo masculino.

Elas não dão folga.

Sobre o Autor

Manoel Hygino dos Santos: *Jornalista e escritor. Membro da Academia Mineira de Letras, cadeira n. 23.

Livros publicados:
Vozes da Terra , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 1948 , Contos e Crônicas
Considerações sobre Hamlet , Ed. Imprensa Oficial de Minas Gerais , Belo Horizonte , 1965 , Ensaio Histórico – Literário
Rasputin – último ato da tragédia Romana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1970 , Ensaio
Governo e Comunicação , Ed. Imprensa Oficial , Belo Horizonte , 1971 , Monografia
Hippies – Protesto ou Modismo , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1978
Antologia da Academia Montes-Clarense de Letras , Ed. Comunicação , Belo Horizonte , 1978 , Coordenação de Yvonne de Oliveira Silveira
Sangue em Jonestown, uma tragédia na Guiana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1979 , Ensaio
No rastro da Subversão , Ed. Faria , Belo Horizonte , 1991 , Ensaio
Darcy Ribeiro, o Ateu , Ed. Fumarc , Belo Horizonte , 1999 , Biografia
Notícias Via Postal , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 2002 , Correspondências


E-mail: colunaMH@hojeemdia.com.br
Matéria originalmente publicada no Jornal "Hoje em Dia", Belo Horizonte/MG

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