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O Barbudo

por Leopoldo Viana Batista Júnior *
publicado em 18/12/2003.

Nasceu no Oriente. Seus trajes, longos e coloridos, se constituíam de várias camadas sobrepostas, a fim de evitar ora o calor, ora o frio. Algumas vezes, muito poucas, usava somente a cor branca.

Desde a infância se destacou entre os seus parentes como indivíduo calmo, participativo e de boa convivência. Entre aqueles que o conheciam, poucos sabiam de suas verdadeiras intenções em relação ao seu povo. Nasceu predeterminado a salvá-los do pecado mundano e afastá-los das vicissitudes.

Ansiava o saber; buscava aprimoramento cultural. Estudou e discutiu com os maiores e melhores mestres de sua religião, peregrinando por diversas nações. Poucos imaginavam que se transformaria em combatente aos regramentos religiosos do seu próprio mundo, interpretando-os à sua maneira e oferecendo-lhes nova forma.

Adulto, combateu as forças dominadoras existentes, políticas e religiosas. Chegou a vagar pelo deserto por longo período, quando foi quase convencido pelo fogo a mudar de vida. Entretanto, permaneceu com suas intenções primeiras. Nesse desaparecimento voluntário, somente as montanhas e cavernas foram testemunhas da sua vida e sacrifício.

Quando irado, chegou, com seguidores, a destruir torres, edificações e templos que representavam o comércio mundial explorador dos seus semelhantes, comércio esse que entendia abominável, indigno e fonte de pecados e da pobreza do seu povo.

Era considerado extremamente perigoso e subversivo às nações que contrariava com suas idéias, especialmente aquelas idéias contestadoras da ordem religiosa implantada pela maioria. Em momentos definitivos, representantes de outras nações lavaram as mãos quanto ao seu destino de condenado, por pura indiferença ou temor ao império guerreiro estabelecido.

Este homem tentou Inverter os padrões comportamentais do mundo. Era capaz de dar a vida pelo que acreditava e pregava. Muitos dos seus seguidores também a perderam assim, conscientemente.

Possuía uma grande barba negra, sem nenhum trato, tomando-lhe toda a face. Seus cabelos raramente eram vistos, pois estavam quase sempre ocultos por lenços também de cores claras. Quando aqueles eram observados, notava-se que escorriam em desalinho por sobre os seus magros ombros.

Nariz afilado; lábios finos; suas feições, juntamente com pés e mãos, eram as únicas partes visíveis de um corpo moreno, magro, e de estatura grande. Era muito parecido com tantos outros homens de sua raça. Numa de suas imagens que circularam pelo mundo, seu olhar parecia se perder no infinito e irradiava aparente bondade e confiança, assim interpretavam seus seguidores e admiradores.

Todos eles - quando se reuniam sentados no chão do deserto, ou em alguma sala escura em uma das pobres casas nas cidades que lhe abrigava e escondia – escutavam-lhe atentamente e com afinco, prometendo caminhar ao seu lado e seguir-lhe até o paraíso, se necessário.

Suas palavras procuravam orientar como anular o inimigo de sua religião, e como seguir apenas o seu deus, que entendia bom e magnânimo - apesar de algumas vezes mandar castigar os infiéis - mas o único a ser louvado.

Foi um mártir para os seus admiradores e seguidores, especialmente pela vontade clara de se deixar matar para salvar e de não temer nada. Foi perseguido, caçado, e desmoralizado publicamente.

As espadas celestes e flamejantes daqueles que o julgavam nocivo venceram, por óbvio. Foi traído pelo seu próprio povo, por dinheiro. Nascia um mito.

Entregou-se de corpo e alma à causa de um povo pobre e errante, em desencontro aos interesses dos impérios existentes, apesar de descender de nobres e construtores.

Manteve-se fiel às suas palavras e pensamentos. Revolucionou a sua própria religião.

Seria a vida uma mera repetição cíclica?

Nota: qualquer semelhança com fatos ou acontecimentos atuais não terá sido mera e absoluta coincidência. O barbudo acima descrito, coincidentemente, perpetuou suas palavras entre os seus, mas não foi crucificado, nem morto entre dois bandidos, há 2000 anos.


Sobre o Autor

Leopoldo Viana Batista Júnior: Cronista.
Autor do Livro: Estrada de Barro para Ladeira de Pedra.
Advogado da CAIXA em João Pessoa/PB.
Professor Universitário e Ex-Conselheiro Estadual da OAB/PB.


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