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A fome de Alice

por Manoel Hygino dos Santos *
publicado em 04/04/2009.

Rosângela Vieira Rocha lança mais um livro. Com grande sensibilidade, sabe transmiti-la. E o faz bem e, como muito bem sabe escrever (fundamental pressuposto para o escritor, segundo Wilde), seu texto tem o condão de embevecer e suscitar interesse por suas histórias e personagens.

O título parecerá surpreendente - "Fome de Rosas", mas o conteúdo se adequa ao espírito e aos costumes deste nosso tempo. Antes, ela nos brindara com o romance "Véspera de lua", e "Rio de pedras", novela, além de muitos contos, alguns reunidos em antologias, reveladores da arte da autora de Inhapim.

A personagem central de "Fome de Rosas" é Alice, de classe média alta, jovem e bonita, que emagrece a olhos vistos. Na tentativa de manter-se como as modelos muito bem aquinhoadas profissional e financeiramente? Ela quereria seguir o protótipo que impele tantas moças em nossa época?

A escritora se propõe desvendar o segredo dessa moça, que resvala para a espiritualidade. Até que ponto ela pretende parecer uma estrela da moda e conquistar seletas plateias? É livro que desperta curiosidade, mas também solidariedade, porque alguém sofre e ninguém pode fazer algo para melhorar a angústia de Alice.

A anorexia nervosa é uma síndrome caracterizada por profunda aversão aos alimentos, acarretando magreza e, às vezes, graves carências nutritivas. Observada, habitualmente, em mulheres jovens, é devida a conflitos emocionais.

Após participar da coletânea "+ 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira", organizada por Luiz Ruffato, em que comparece com o conto "A oitava onda", Rosângela declarou que sua produção "se insere no panorama das inquietações femininas de que trataram meus dois livros anteriores, dando continuidade a questões que venho abordando desde que comecei a escrever. Nessa nova literatura, com mulheres do novo milênio e seus problemas e aspirações, procuro dar uma visão lúcida, bem-humorada, verdadeira, algo que retrate a opressão sofrida pela mulher".

No prefácio, Henrique Chagas, do "Verdes Trigos", oferece uma lúcida resenha sobre o livro de Rosângela e de quem, afinal, se tornou Alice, a protagonista. O prefácio permaneceu desconhecido até o lançamento, mas agora se sabe seu conteúdo e o próprio autor comenta:

"Creio que a riqueza do "Fome de Rosas" está na forma de desvelar os valores e a ética pós-moderna. Ela (a autora) faz isto com maestria, é uma socióloga sem querer ser".
"Sartre foi o grande filósofo que demonstrou seu existencialismo através do romance e Rosângela demonstra com clareza a formação do pensamento pós-moderno, especialmente no que se refere à identidade individual, através da história de uma moça que se torna anoréxica (em razão de bulimia). O que tem de novo nisto? O novo está nos porquês subliminares colocados no romance pela romancista."

Rosângela Vieira Rocha, antes da publicação, me confiou: "Sei que é um livro estranho, como o próprio tema, como a doença de Alice, como a visão (desvisão?) de mundo que ela tem". Observa que produziu cinco versões e a que perdura foi a única encontrada para contar a história.

História que, resultou de alta qualidade como os livros anteriores. Mas desta vez, mais do que antes, focalizando um tema atual, que aparece nas páginas dos jornais, desde as colunas sociais às editorias da área de saúde ou de polícia. A autora superou dificuldades e conseguiu elaborar uma novela que fascina. Poderia ter-se intitulado "O mistério de Alice", "O enigma da pretendida modelo", coisa assim. Talvez vendesse mais.

O que, porém, se logrou é convincente, até porque ela tem "um jeito que vai do lírico ao patético, do prosaico ao insólito, entremeado por muita ironia e um humor oblíquo, que o leitor descobre aos poucos e que nos dá a sensação de estarmos diante de uma escritora com consciência plena das criaturas que nos entrega", como comentou Chico Lopes. Quanto a mim, tenho certeza.

Sobre o Autor

Manoel Hygino dos Santos: *Jornalista e escritor. Membro da Academia Mineira de Letras, cadeira n. 23.

Livros publicados:
Vozes da Terra , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 1948 , Contos e Crônicas
Considerações sobre Hamlet , Ed. Imprensa Oficial de Minas Gerais , Belo Horizonte , 1965 , Ensaio Histórico – Literário
Rasputin – último ato da tragédia Romana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1970 , Ensaio
Governo e Comunicação , Ed. Imprensa Oficial , Belo Horizonte , 1971 , Monografia
Hippies – Protesto ou Modismo , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1978
Antologia da Academia Montes-Clarense de Letras , Ed. Comunicação , Belo Horizonte , 1978 , Coordenação de Yvonne de Oliveira Silveira
Sangue em Jonestown, uma tragédia na Guiana , Ed. Júpiter , Belo Horizonte , 1979 , Ensaio
No rastro da Subversão , Ed. Faria , Belo Horizonte , 1991 , Ensaio
Darcy Ribeiro, o Ateu , Ed. Fumarc , Belo Horizonte , 1999 , Biografia
Notícias Via Postal , Ed. do Autor , Belo Horizonte , 2002 , Correspondências


E-mail: colunaMH@hojeemdia.com.br
Matéria originalmente publicada no Jornal "Hoje em Dia", Belo Horizonte/MG

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