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REDD E OUTROS ANÁTEMAS DO CLIMA

por Efraim Rodrigues *
publicado em 12/04/2008.

Um dia no trânsito me vi encalacrado por outros carros que por sua vez também dependiam de mim para andar. Resolvi o anátema da maneira mais rápida, subindo um pouco na calçada.

A situação com o clima é parecida. O anátema fundamental é que cada um não para de poluir porque o outro não parará, mas outros anátemas se sobrepõem ao primeiro. Para sair disto precisamos de soluções criativas, mas onde estão elas ?

A conferência sobre o clima em Bali (dez, 2007) acenou que os créditos de carbono de florestas em pé sejam aceitos pelas Nações Unidas como forma de compensação pela emissão de carbono. Este mecanismo ainda não existe de fato, mas já foi batizado como REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de Florestas). Sua essência é que países ricos pagarão para que países pobres não desmatem ou degradem suas florestas.

A remuneração para alguém não fazer algo é um anátema. Explico. O bom senso impõe que o REDD priorize florestas em maior risco de desmatamento, como é o caso dos estados de MT e PA. Afinal não há razão para evitar um desmatamento improvável, como no norte do Amazonas. Porém, agindo assim estaremos premiando o mau comportamento, induzindo outros a fazerem do mesmo jeito para obter o mesmo benefício.

Outro anátema é que o REDD possa tornar-se um mecanismo que busca a sustentabilidade de maneira insustentável, porque quando pagamos para que alguém não desmate hoje, precisaremos também pagar para que não desmate amanhã, o que parece incompatível com a conservação de ecossistemas naturais a longo prazo.

O aceno do UNFCCC causou uma corrida do ouro para as florestas do mundo. Merril Lynch colocou 9 milhões de dólares na Sumatra, a Canopy Capital irá custear uma parte “significativa” do 1,2 milhões de dólares de orçamento de Iwokrama, nas Guianas e a New Forests Pty. Ltd. irá fazer o mesmo em Bornéu. Não é compra de terras. É uma compra dos benefícios da floresta em pé, para depois poder vendê-los por um preço maior.

Assim como minha subida na calçada, a solução que estes investidores engendraram é algo irregular, já que ainda não existe um mercado formal para o carbono de florestas em pé, mas eles crêem que poderão, por exemplo, vender créditos de biodiversidade para produtores de sementes ou créditos de “chuva” para grandes consumidores de água. A injeção de dinheiro em florestas nativas é bem vinda.

De minha parte, adianto que amanhã irei ao trabalho de bicicleta.

Sobre o Autor

Efraim Rodrigues: Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é doutor pela Universidade de Harvard, Professor Adjunto de Recursos Naturais na Universidade Estadual de Londrina, Consultor do Programa Fodepal da FAO-ONU e Editor da Editora Planta, sem fins lucrativos.

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