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Annapolis: Hora de Derrotar os Extremistas

por Amós Oz *
publicado em 25/11/2007.

Quando se fala das questões centrais da disputa entre israelenses e palestinos, a distância entre as partes é ainda grande.

Por essa razão, a Conferência de Annapolis não será muito mais do que um evento festivo acompanhado, quanto muito, por uma declaração mostrando esperança no futuro. Em boa parte, ambos os lados têm se tornado prisioneiros de seus respectivos extremistas, e esses radicais não estão permitindo aos negociadores que ofereçam quaisquer concessões significativas.

Mas, apesar disto, devemos lembrar certamente que as diferenças entre os dois lados são, neste momento, muito menores do que jamais foram durante os últimos 100 anos de fúria e sofrimento.

Ambos os lados aceitam o princípio da solução de Dois Estados, e ambos reconhecem o fato de que a fronteira será semelhante à das fronteiras de 1967. Ambos os lados reconhecem seu dever em resolver, através de negociações, as questões de Jerusalém, assentamentos, refugiados, fronteiras, segurança e água.

Ambos os lados sabem, mesmo que não o tenham dito, que um acordo de paz acabará sendo muito semelhante ao modelo Clinton-Taba-Genebra. E os dois lados sabem que se as negociações fracassarem, será a hora dos extremistas.

De fato, os extremistas dos dois lados esperam que as negociações fracassem, e rezam por um beco sem saída. O tempo não está a favor dos israelenses ou palestinos. Está mais para o lado dos radicais.

O principal encargo para o progresso está sobre os ombros do governo israelense e da opinião pública de Israel, porque o país está controlando os territórios palestinos, e não o contrário. Se Ehud Olmert escolher ou for forçado a ceder aos falcões de sua coalizão o direito de interromper todo o processo, o resultado será a subida de Netanyahu [dirigente do partido de direita Likud] ao poder num prazo curto.

Mais ainda, em conseqüência os extremistas irão também derrotar os moderados do lado palestino, e em vez de Mahmoud Abbas, estaremos face a um front beligerante patrocinado pelo Irã.

Paciente Quase Pronto para Cirurgia

A liderança de Olmert será testada não apenas por sua capacidade de manobrar entre os parceiros na coalizão de governo Avigdor Lieberman e Eli Yishai. Mais ainda, o será por sua determinação para conduzir uma mudança histórica.

Os falcões da direita israelense argumentam que Mahmoud Abbas é fraco demais, e que portanto fazer a paz não vale a pena. Este é o mesmo campo direitista que dizia que Arafat era perigoso demais, e não se devia fazer a paz com ele. Mas, verdade seja dita, existe uma ligação direta entre um declínio e um fortalecimento da posição de Abbas e o que sua ala moderada conseguirá ou não através de conversações com Israel. Abbas só será fraco na medida em que o enfraqueçamos ao não lhe conceder qualquer conquista substantiva.

O que acontecerá se as atuais negociações não derem resultado? A solução de dois-estados poderá fenecer, e seremos forçados a escolher entre dois desastres históricos: Um único Estado (aproximando-se de uma maioria árabe) entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo, ou um regime de apartheid israelense que continuaria a reprimir pela força os palestinos ocupados, enquanto os palestinos continuariam a resistir violentamente.

Temos de ir a Annapolis, e avançar após Annapolis, baseados na percepção de que ambos os povos já sabem mais ou menos como será um acordo final: um Estado Palestino baseado nas fronteiras de 1967, ao lado de Israel, com pequenas correções de fronteira mutuamente acordadas, sem retorno de refugiados palestinos a Israel e com duas capitais em Jerusalém.

Todos sabem disso - até os opositores nos dois lados.

Os pacientes, tanto o israelense quanto o palestino, estão quase prontos para a cirurgia. Será que os médicos mostrarão coragem suficiente?

[publicado no Ynet em 21/11/2007 - traduzido pelo PAZ AGORA|BR]

Sobre o Autor

Amós Oz: Nasceu em Jerusalém, em 1939. Considerado um dos melhores escritores israelenses da atualidade, já foi traduzido para mais de 22 línguas. Atualmente mora em Arad, no deserto de Neguev, dedicando-se à militância em favor da paz entre árabes e israelenses e ao curso de literatura hebraica que leciona na Universidade Ben-Gurion.

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