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História da Noruega. Século XX: da Independência ao Estado de bem-estar social

por Urda Alice Klueger *
publicado em 03/10/2007.

Tendo como cuidadoso revisor principalmente dos conceitos e fatos políticos daquele país, para que nada se perdesse na tradução do texto de Berge Furre, e também como prefacista, o renomado professor Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira, sociólogo, escandinavista e professor de política internacional da Universidade Regional de Blumenau/Brasil, o primoroso Volume 1 da Coleção Norden, que vai nos trazer, basicamente, a Noruega do Século XX, vem recheado de detalhes e surpresas sobre como aquela sociedade agiu para vencer seus desafios e desembocar no novo milênio como uma das sociedades de maior bem-estar social do mundo atual.

Bergen Furre, o autor, além de historiador e político, é professor da Universidade de Oslo, e da sua produtiva carreira e impressionante biografia, ressaltamos o fato de pertencer ao Comitê Nobel, o que escolhe o detentor do Prêmio Nobel da Paz.

O texto do professor Berge Fure tem um “prólogo” histórico, que ocupa 25 páginas, que vai nos trazer uma Noruega vinda a partir dos lendários tempos dos vikings e em todo o livro vamos encontrar ilustrações, desde fotos representativas dos mais importantes momentos políticos do país, até de paisagens e de belíssimas obras de arte que desconhecíamos.

Para nós, que habitamos um país novo, de dimensões continentais e de tão grandes desníveis sociais e econômicos, tendo ainda uma imensa percentagem de analfabetos e analfabetos funcionais, observar como uma pequenina Noruega, assolada pelos gelos dos intensos invernos e por longos períodos sem direito a sol pôde ir caminhando decididamente em direção à resolução dos seus problemas internos e externos, é deveras fascinante. Diríamos que, ao longo de um século, o povo norueguês como que elaborou um “contrato social” amplo, que abrangeu toda a sociedade, partindo de acertos e erros em suas muitas movimentações políticas internas e externas. Pensamos que, para tornar mais claro o que pretendemos dizer, é necessário primeiramente situar a Noruega dentro da Geografia deste planeta.

Quase no extremo norte da Europa (além dela só vamos encontrar a Islândia - com sua grande Groelândia) e as congeladas planícies que levam ao Pólo Norte), com mais ou menos a metade do seu território já situado dentro do Círculo Polar Ártico, ela tem um formato comprido e estreito, e se limita, na sua parte sul, em grande parte com a Suécia, e tendo ao norte uma pequena área limítrofe em contato com a antiga União Soviética, e possuindo bem mais ao norte, em pleno Oceano Glacial Ártico, a propriedade do arquipélago de Svalbard, além de mais de 55.000 ilhas – o que lhe dá um imenso litoral voltado para o movimentado mar do Norte, onde transitam incontáveis navios pesqueiros e outros, além de submarinos atômicos. O piscoso Mar do Norte foi palco, durante o século XX, de amplas disputas pelo poder das áreas consideradas como de plataformas continentais de outros países, como a Inglaterra e a Dinamarca, por exemplo, tendo-se, em tal período, se chegado a acordos também em tal assunto, tanto quando à divisão das áreas de pesca quanto às rotas livres de passagem de navios e submarinos internacionais.

São inúmeros os fatos políticos e outros relatados nas 512 páginas desse livro, e há que pinçar um ou outro para ilustrar esta que pretende ser uma pequena amostra de tão vasta e ampla obra. Escolhemos lembrar um dos fatos que vai assolar esse país hoje tão próspero no decorrer da Primeira Guerra Mundial: com tamanho litoral, a Noruega possuía uma imensa frota de navios com a capacidade de grande tonelagem, considerando-se o pequeno tamanho do seu território - e foi o país mais atingido de todos proporcionalmente quanto à perda de frota – ao final da guerra, 143 navios seus tinham sido postos a pique, o que significava quase 50% (cinqüenta por cento) da sua tonelagem, a maior perda proporcional que qualquer país teve, na ocasião (pág. 91 a 93).

Outra atitude política curiosa desse pequeno e corajoso país: em abril de 1949, entra ele como membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e, como tal, passa a sentir-se, diríamos, como um país atlanticista, e não mais europeu – suas lealdades passam a ser dirigidas aos outros componentes de tal organização, em detrimento, diversas vezes de outros países da Europa, como Turquia ou Grécia, devido aqueles países, mesmo sendo do mesmo continente, não participarem da mesma organização. (p. 262)

O que mais chama a atenção no livro, no entanto, é como se vai construindo o já falado “contrato social” que vai transformar a Noruega num Estado de Bem-Estar Social. Acertando e errando, o país vai fazendo suas tentativas, e é impressionante como o Estado, paulatinamente, “vai tomando para si a responsabilidade pela segurança social e financeira dos seus cidadãos”. [1]

Para nós, que vivemos num país onde a população beira os duzentos milhões de habitantes, às vezes dá-nos a sensação de que estamos a observar uma Liliput, durante a leitura de tal obra. Tendo a Noruega hoje uma população de 4,5 milhões de habitantes, achamos no livro afirmações assim: “o crescimento demográfico aumentou durante a guerra”, e, logo em seguida: “Mais de 70.000 crianças nasceram em 1946, um recorde imbatível.” (p. 203) Tais dados levam-nos a reflexões, fazem com que paremos para pensar mais sobre como num país com reduzida população é possível saber-se coisas que nunca sequer imaginamos no nosso país – que no ano tal, por exemplo, havia na Noruega um cômodo para cada 1,5 pessoa viver, e que no ano tal, já havia um cômodo para cada pessoa viver, precisas estatísticas que dão todo um encanto à obra, como o caso de um único sítio que existia em montanha tão inacessível que a ele “só se subia ou descia usando um cabo suspenso ou uma escada que se lançava paredão abaixo” mas que mesmo assim criou-se toda uma preocupação em como fornecer energia elétrica a ele, quando o país passa a usar tal energia maciçamente. (p. 248)

Então, numa terra onde já se havia criado toda uma preocupação para com cada cidadão que lá vivia, de repente ainda se descobre que ela como que está ancorada sobre um mar de petróleo! Os primeiros barris do precioso líquido são extraídos em 1971 (p. 316), e é tão grande a riqueza descoberta, que há como que se redimensionar tudo, e superar crises inesperadas, e repensar uma vida ainda melhor para os cidadãos de um país que há tantas décadas já vinha sempre tentando aprimorar o que seria uma vida ideal para cada morador, mesmo que tenha feito tal coisa com acertos e erros, como já falamos.

Vale a pena ler o livro com a história de um pequeno país que tentou e conseguiu direcionar seus maiores interesses para o bem estar da sua população, e que conseguiu seus objetivos. De fácil e agradável leitura, “História da Noruega” nos leva a outras reflexões: seria possível fazer num país como o nosso, tão diferente daquele em tão diferentes ângulos, chegar-se a um resultado semelhante, se resolvêssemos, também, apostar em como que um “contrato social” de bem estar para a nossa população? Esta reflexão primeira e básica nos leva a outras, e a outras... quiçá muitas pessoas venham a ler tal livro! Talvez, se muitos de nós fizermos as mesmas reflexões, acabemos chegando a conclusões parecidas e possamos começar a mudança de que tanto a nossa gente e o nosso país precisam!

Blumenau, 13 de setembro de 2007.

FURRE, Berge. História da Noruega. Século XX: da Independência ao Estado de bem-estar social. Trad. Kristin Lie Garrubo. Blumenau: Edifurb, 2006. 512 p.: il. (Norden, 1) ISBN 85-7114-169-X

Sobre o Autor

Urda Alice Klueger: Escritora catarinense de Blumenau, onde vive e trabalha. Publicou inúmeros livros, entre eles "Entre condores e lhamas" e "Crônicas de Natal"

http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia/urdaautores.htm




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