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RESENHAS
Pedro Nava por Manoel Hygino
Napoleão Valadares*
Conhecemos há muito o trabalho de Manoel Hygino dos Santos. Não bastassem os livros publicados, os ensaios sobre Hamlet, Rasputin, Darcy Ribeiro e outros temas palpitantes, além de contos, crônicas e os artigos do Hoje em Dia, sai agora o seu novo livro Tu és Pedro Nava - Um crime que ficou sem castigo, em que ele trata da vida e da morte do grande memorialista, talvez o maior dos nossos. E o faz de modo simples, à mineira, mas com precisão e profundidade. Mostra o Pedro Nava estudante, médico, o escritor, o poeta, o homem, o morto. Traz-nos opiniões e sentimentos dos amigos do memorialista juiz-forano, como Afonso Arinos de Melo Franco, Vivaldi Moreira e outros. Lembra as considerações de poetas como Bandeira e Drummond, dá informações sobre as opiniões do povo quanto à morte trágica que chocou os meios intelectuais do País. E não lhe escapa a oportunidade de relacionar fatos ligados a escritores como Proust, Montaigne, Sartre, Baudelaire, Verlaine, Rimbaud.
Mas o livro versa, principalmente, sobre a morte, os motivos que levaram uma pessoa a cometer o gesto de pôr fim à própria vida. É sobre isso que ele mais trata e trata de forma magistral, citando opiniões de pessoas do ramo, conhecedoras da matéria. E mais à frente, apresenta uma relação de escritores que enveredaram para o encontro desse tipo de fim, a começar por Sócrates, Ernest Hemingway, Yukio Mishima, Stefan Zweig, Vladmir Maiakovski, Virginia Woolf, Walter Venjamim, Yassunari kawabata e Sylvia Plath (esqueceu-se de Hermes Fontes e de Batista Cepelos).
Além de tudo o mais que nos ensina o livro, traz preciosos dados sobre essas figuras da História, dados que às vezes temos dificuldades em encontrar e dados que às vezes nos deixam pensativos, como as peripécias da incrível vida de Hemingway.
Tudo isso é interessante, umas vezes impressionante e muitas chocantes. Mas o melhor do livro é a forma concisa e precisa como o tema é tratado. Para se conhecer bem Pedro Nava, basta que se leia essa obra de Manoel Hygino dos Santos. Queremos mesmo crer que ela seja, sem desfazer de outras, o melhor trabalho que temos sobre o memorialista mineiro.
Sobre o Autor
Napoleão Valadares:
NAPOLEÃO VALADARES nasceu em Arinos (MG) em 1946 e está radicado em Brasília desde 1966. Autor de diversos livros, entre os quais os romances Urucuia e Remanço. Organizou Contos Correntes, antologia de contos de escritores brasilienses, em 1988. Napoleão Valadares é romancista e contista. Pertence à Associação Nacional de Escritores e à Academia de Letras do Brasil.
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