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"É mito ou minto?"

por Mário Persona *
publicado em 14/07/2005.

Acordei perplexo. O noticiário foi monopolizado por imagens da Daslu, a loja mais cara do país, e sua proprietária presa por suspeita de sonegação. Na CNN, Bernard Ebbers, ex-CEO da WorldCom saía do julgamento para cumprir 25 anos de cadeia por fraude. O mundo corporativo era o sangue da vez.

Nos canais de deputados e senadores, o reality-show das CPIs exibia políticos e empresários suspeitos de corrupção. Dirigentes de partidos, ministros e diretores de estatais caem como um castelo de cartas marcadas. A bruxa voa solta de vassoura na mão varrendo companheiros para debaixo do tapete.

Enquanto isso pesquisas de opinião mostram um presidente incólume, como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, um bispo evangélico, detido ao embarcar num jato executivo com malas de dinheiro, vê sua organização continuar crescendo como se nada tivesse acontecido. Dá para entender? Dá.

O marketing estuda a essência do comportamento humano, as necessidades, desejos e expectativas de pessoas que funcionam à base de combustíveis tangíveis, mas também de intangíveis, como estima e auto-realização. Já viu automóvel Flex-Fuel? Somos assim. E em nosso tanque cerebral há lugar para um aditivo poderoso: o mito.

A imprensa intelectual pode denunciar os companheiros satélites do presidente, a sociedade pode execrá-los. O presidente fica incólume porque é um mito. Seus correligionários são ridicularizados por um pingo de dinheiro na cueca, mas o presidente pode tomar banho de chuveiro em seu jato, vestir Armani ou beber Romanée Conti que será aplaudido.

Não é uma questão de certo ou errado, é uma questão de mito; de ser o retirante que virou presidente com todas as mordomias que acompanham o sonho, não importa o preço. Mito barato não é mito. As pessoas continuarão comprando Daslu e semelhantes por dez vezes o preço da esquina. O mito não deixa barato.

Mito é o inacessível que todos querem ser ou ter. Sua força não está numa ascensão lógica, mas na ausência de uma explicação para ter chegado lá; está numa conjunção de fatores mágicos. Toda Argentina tem sua Evita, toda Inglaterra tem sua Diana. Do nada para o tudo.

Assim é Luke Skywalker, adorado mesmo sendo filho de Dart Vader. Assim é Frodo, pequeno, pobre e frágil, conquistando poder e glória sem medida. Assim são as novelas da Cinderela pobre que encontra o príncipe e são felizes para sempre no luxo e opulência. Ou você acredita que um presidente que virasse operário seria admirado?

É a mente humana. O sucesso que pode ser explicado pela lógica não atrai. Gibis de super-heróis nasceram na grande depressão norte-americana. Não eram heróis porque trabalharam, empreenderam, fizeram academia para desenvolver o físico. Aconteceu uma mágica e... "Shazam!", saíram voando.

O mecanismo é o mesmo do bispo com as malas de dinheiro. Propaganda negativa para sua igreja? Não, propaganda positiva. Uma organização que atrai pessoas menos interessadas na salvação de suas almas do que na salvação de suas finanças jamais seguiriam pastores pobres que viajassem de ônibus com moedas no bolso.

O mito precisa mostrar a opulência que seus seguidores sonham um dia experimentar. Quem sonha em viajar de jato executivo com malas de dinheiro vai admirar quem viaja assim. A imprensa e seus intelectuais podem espernear tomando chopp no boteco ao lado do teatro de papo-cabeça, mas mito é assim.

Mas então por que o povo baba quando vê um milionário ou empresário condenado? Porque não encarceraram um mito. Empresários não ascendem por mágica. Só admira empresário quem não se enxerga muito longe de lá. Quem se vê a anos luz do sucesso, só admira quem chega lá tomando "Shazam!", por um desígnio dos deuses, um oráculo do Olimpo. Não por empreender, mas por "Um Dia de Princesa" de programa de TV.

Se os faraós não fossem mágicos e não gastassem pirâmides de dinheiro, não seriam venerados pela plebe. Sim, eu sei que estamos na semana da queda da Bastilha e da monarquia francesa. Mas aquilo foi um mero intervalo para os comerciais. Quando um mito cai, outro ocupa seu lugar. Veja o que li num site de história:

"Entre 1799 e 1815, a política européia está centrada na figura carismática de Napoleão Bonaparte, que de general vitorioso se torna imperador da França, com o mesmo poder absoluto da realeza que a Revolução Francesa derrubara."

Como diria o carnavalesco Joãozinho Trinta: "Pobre gosta de luxo; quem gosta de pobreza é intelectual".

Sobre o Autor

Mário Persona: Mário Persona é escritor, palestrante, professor e consultor em comunicação e marketing, com ênfase em estratégias de comunicação, marketing, gestão de mudanças e desenvolvimento pessoal. Seus artigos, idéias e temas de suas palestras podem ser encontrados em seu site www.mariopersona.com.br.

Leia outros textos de Mário Persona em http://www.mariopersona.com.br/blog/

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