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Parente é serpente

por Ronaldo Andrade *
publicado em 12/08/2008.

Finalizada as Olimpíadas, um aspecto que me chamou a atenção foi em relação ao espírito coletivo (ou a falta dele) de alguns atletas brasileiros. As ótimas nadadoras Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha digladiaram – literalmente - na prova de natação aquática, em um erro de estratégia que ambas reconheceram, o que levou a vencedora da prova, a russa Larisa Ilchenko, a afirmar que “isso é natação, não boxe". As nadadoras britânicas, Karri-Anne Payne Cassandra Patten, prata e bronze, souberam usar o jogo de equipe e completaram o pódio.

Já na semifinal do vôlei de praia masculino, entre as duplas brasileiras Ricardo e Emanuel, favoritos à medalha de ouro, contra Fábio Luiz e Márcio, no último ponto da partida, que terminou sendo ganha pelos azarões, houve uma discussão mais acalorada que a quadra onde se disputou a partida. Ricardo reclamou que houve um toque no bloqueio de Fábio. A discussão se estendeu até na hora da entrevista coletiva, diante das câmeras. Será que Ricardo e Emanuel ficaram tristes com a derrota de Fábio Luiz e Márcio na final?

Essas situações podem até ser um paradoxo quando vemos que muitas medalhas da história olímpica do Brasil foram ganhas em esportes coletivos. Infelizmente, porém, sinto que não temos ainda uma cultura que valoriza o espírito coletivo; é mais “cada um por si”. A sociedade brasileira dá grande ênfase à derrota – “segundo e último lugar são as mesmas coisas” – e possui uma tremenda necessidade de encontrar bodes expiatórios, verdadeira caça às bruxas, quando as coisas dão errado.

Os meios de comunicação também têm sua parcela de culpa. Nós, profissionais da área, gostamos de mexer nas feridas (ou apenas damos o que os leitores / telespectadores querem?). Falamos insistentemente, por exemplo, que a ginasta Daiane do Santos ficou na 5º posição em Atenas, que as meninas do vôlei desperdiçaram há quatro anos não sei quantos match points contra a Rússia (o dedo na boca pedindo silêncio, das jogadoras Fabi e Mari após a conquista do ouro em Pequim, ilustra bem o que tiveram de ouvir durante esse período). No futebol, é o Maracanazzo de 50 pra lá, o Sarriá de 82 pra cá. Quem de primeira lembra o nome do estádio do último título mundial, em 2002? Infelizmente, os “Diegos Hypólitos” e “Jadéis Gregórios” desses Jogos vão ouvir muito até Londres-2012.

Sabe-se, seja qual for o motivo, que o ser humano possui atração pela tragédia, mas às vezes dá a impressão que nós, brasileiros, adoramos mais do que todos um drama. Não é à toa que as novelas fazem tanto sucesso por aqui: é só alguém ganhar uma medalha – ou deixar de ganhar – para que a câmera dê um close nos olhos marejados, e choramos junto com o vitorioso, ou com o perdedor.

Os profissionais dos meios de comunicação, sempre ávidos por encontrar erros alheios, devem também se questionar se fazem isso quando erram. Muitas Redações e os que nela trabalham têm uma grande dificuldade em reconhecer os erros e fazer as devidas correções. Talvez porque saibam a dor que é errar; assim, é mais fácil ser estilingue do que vidraça, apontar o dedo na ferida do outro e cutucar sem parar. Nas vezes em que errei – coisas até banais, como por exemplo um número de telefone ou um endereço trocado - a angústia de ver o erro impresso no jornal, sem a possibilidade de, naquele momento, fazer a devida correção, é para o jornalista como o tombo de um ginasta ou um set que não se consegue fechar. Pensemos nisso.

Sobre o Autor

Ronaldo Andrade: Brasileiro radicado em Portugal. Vinte e sete anos de histórias fantásticas: foi morar em Portugal, conheceu José Saramago (que o incentivou a escrever), escreveu e lançou um livro (à venda no Brasil e em Portugal) e acabou sendo contratado por um time da segunda divisão do futebol português.

Contato:
O livro "A mulher do comboio" pode ser adquirido pelo telefone(00 351) 91 433 22 70 ou pelo e-mail roanoli@uol.com.br

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