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A arte imita a arte

por Noga Lubicz Sklar *
publicado em 12/02/2008.

Depois que descobriram um novo monstro marinho - isto é, um velho - numa ilha da Noruega, não vou me espantar nadinha se afirmarem que o de Loch Ness existe mesmo. Isso, claro, devido às descobertas tecnológicas de um Michael Crichton, que nos permite fertilizar dna de fóssil. Já estou pagando pra ver.

Porque se a gente deixar, um clima hiperreal de pesadelo toma conta de nossas vidas, e hoje nem é sexta-feira treze. É quinta. É fevereiro. Embora o dia de amanhã, todo mundo sabe, nem vai existir, calma, gente: é ano bissexto e, vocês sabem, outro assim só daqui a... sei lá. Nem quero saber. Como esse porteiro de Copacabana, coitado, espancado quase até a morte pelo simples fato de existir e ocupar um lugar no mundo, lugar errado, isto é, no prédio comercial fechado à noite. Ou aquele prisioneiro no Iraque, um cidadão comum torturado pelo simples fato de estar ali no carro, ou o garoto atropelado, ou aquele soldado queimado e esquartejado por seus colegas pelo simples comando da mente doente - síndrome pós-traumática - vítima e algoz afundando no mesmo barco, afinal de contas, são atores ou veteranos recuperados? Ou como o finado Tim Lopes que não tinha síndrome nenhuma nem estava no lugar errado, mas foi espancado até a morte, queimado e esquartejado assim mesmo porque, francamente, muito errado mesmo anda o nosso mundo. Ou nossa visão distorcida dele. E o nosso Tim, imaginem, nem foi candidato ao Oscar de ator estrangeiro. Injustiça.

Ficou na dúvida se é realidade ou ficção? Eu também. Fico na dúvida o tempo todo, e para dirimi-la, tenho um método simples: a mídia. É livro? Ficção. É notícia? Realidade. Documentário? Realidade. Drama? Ficção. Nem sempre funciona, é claro. Tem documentário induzido, tem drama baseado em fatos reais e tem, principalmente, uma lógica muito humana que nos impede de acreditar nas mais simples verdades, como essa, por exemplo: tem um monstro vivo no Lago Loch Ness.

Ah, tá bom. É um rolo intencional, afinal de contas, é assim que funciona um cronista: mistura alhos com bugalhos a um ponto tal que nem ele mesmo sabe se aquilo aconteceu, ou se ele apenas imaginou. Se ironizou tanto, como disse no outro dia uma leitora minha, que perdeu o rumo da crítica e acabou convencendo alguém de exatamente o contrário do que pretendia. Isso, claro, pra cronistas de segunda assim como eu. Que publicam às segundas-feiras, é claro, e também às terças, quartas, quintas e sextas-feiras, treze ou não, o que só pode acabar em confusão, e que tentam, sem muito sucesso, imitar excelentes textos já publicados e reconhecidamente geniais.

Mas quando a gente se depara com um cronista grande, daqueles cujo talento não provoca confusão nenhuma, ops, dúvida, dá aquele baque: o tempo passa e o cara só melhora, não azeda nunca. Dá um humor na medida certa, um toque inteligente e único, não se perde, nunca decepciona. Um cronista desses, a certa altura um novo Veríssimo, é Antonio Prata, de quem às vezes me esqueço porque fala sério, tanto talento assim todo dia não dá pra encarar. Para os leitores dele, uma revelação constante. Mas para mim, que sou escritora, uma fonte permanente de inveja, confusão e dúvida, porque, francamente, se não for pra escrever como ele é melhor desistir, pendurar a caneta e desligar de vez o notebook.

Ah, sim, o notebook é moderno, não desliga nunca. Nem a mente alerta do internauta: já não consegue se desligar. Deve ser por isso esta confusão crescente entre sonho e pesadelo, entre o fato e a foto, entre a vontade e o que acontece de verdade. Entre o talento e a ilusão, todo mundo na rede, inclusive eu, acreditando que é o tal. Na rede da minha varanda, é claro, de onde só saio para conferir os links e, finalmente, entender o que está acontecendo. E onde. E como. E com quem, porque comigo é que não é: não estou nem aí.

Nas Crônicas de Ulysses: Intraduzíveis

Sobre o Autor

Noga Lubicz Sklar: Noga Lubicz Sklar é escritora. Graduou-se como arquiteta e foi designer de jóias, móveis e objetos; desde 2004 se dedica exclusivamente à literatura. Hierosgamos - Diário de uma Sedução, lançado na FLIP 2007 pela Giz Editorial, é seu segundo livro publicado e seu primeiro romance. Tem vários artigos publicados nas áreas de culinária e comportamento. Atualmente Noga se dedica à crônica do cotidiano escrevendo diariamente em seu blog.

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