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Salvador da Pátria?

por Efraim Rodrigues *
publicado em 21/10/2007.

A idéia do salvador da pátria tem tudo a ver com nossa cultura patriarcal. Como boas crianças, achamos que sempre vamos ter a ajuda do papai para livrar nossa cara.

Na semana passada, Al Gore somou o Nobel da Paz ao Oscar e Emmy que já tinha, alçando-se ao cargo de grande pai do ambiente mundial. Eu o admiro. É um líder ambientalista de primeira hora, desde os tempos do senado.

Há um ou dois senões sobre a vida pessoal dele, como o gasto de energia de sua casa, na verdade três delas, e também a falha neutralização do carbono de seu livro Verdade Inconveniente. Mesmo assim, o mundo está melhor com Al Gore do que sem ele. O mundo pensa assim, mas não os EUA. Lá, ele não tem votos para bater nem o nanico Obama, conforme pesquisa desta semana divulgada pela revista The Economist. Será este super-homem global capaz de nos livrar das garras do carbono satânico ?

Eu tenho muitas dúvidas sobre o resultado concreto das “lideranças”. Lideranças mundiais criaram o MDL, o mega sistema de indulgências carbônicas, que nos permite continuar lançando carbono no ar, mas agora sem culpa. Era melhor antes, quando por exemplo, apontávamos o dedo para os livros, e nos perguntávamos se o benefício daquilo valeria a pena o impacto ambiental. Hoje, paga-se uns 400 dólares de indulgência, e pode-se pecar à mão cheia
O sistema de produção de álcool automotivo é também uma maneira criada por nossas lideranças, de não nos separarmos da pior arma de destruição jamais inventada. Aparentemente inofensiva, e por isso mesmo, tão destrutiva. Infelizmente não há um pai (ou liderança, como queira) com a firmeza necessária para impor limites e dizer para a criança que ela não pode mais brincar com seu carrinho.

Talvez alguma liderança pudesse tentar convencer que nos matamos de trabalhar para comprar bens que nos terminam de matar. Mas isto não iria colar, afinal japoneses e indianos já dão um recado similar há milhares de anos. Além disto, este recado é desinteressante para boa parte das lideranças, que vivem da venda de objetos manufaturados.

Não sou líder de nada, e por isso, vou dizer o indispensável. Precisamos abdicar de adquirir bens. Os bens que uma pessoa possui não podem ser limitados pela sua riqueza, mas sim pela preocupação com o planeta.
Perca as esperanças que papaizinho Gore irá salvá-lo. Ou nos safamos desta por nossa própria iniciativa, ou iremos todos à breca, com Albert Arnold Gore Jr. incluído.

Sobre o Autor

Efraim Rodrigues: Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é doutor pela Universidade de Harvard, Professor Adjunto de Recursos Naturais na Universidade Estadual de Londrina, Consultor do Programa Fodepal da FAO-ONU e Editor da Editora Planta, sem fins lucrativos.

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