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ZEN DEMAIS

por Pablo Morenno *
publicado em 29/04/2007.

Sexta-passada, um budista bateu em um monge durante uma sessão de meditação no Templo Busshinji, da Comunidade Budista Sotozenshu da América do Sul, na rua São Joaquim, Liberdade (região central de São Paulo). É apenas um sinal dos tempos da perda de paradigmas. Por causa do monge, os desembargadores, procuradores federais, advogados, caíram na gandaia. Henry Sobel furtou gravatas nos esteites. O diabo está solto.

Tá havendo uma debandada geral. Os monges andam violentos, a justiça vende liminares, os policiais viram bandidos. Quem poderá nos salvar? Chapolim Colorado?

Daqui a pouco Jesus reaparece pregando o ódio aos outros e é bem capaz de Bush se candidatar novamente ao Prêmio Nobel da Paz, de Paulo Coelho ganhar o Nobel de Literatura, de Hitler ser canonizado, de algum inventor de arma química ganhar o Nobel de Medicina. Afinal, do jeito que as coisas andam, tudo é possível.

Mas o pior de tudo não são essas barbaridades. O pior de tudo é que ninguém fica surpreso, ou chocado. As notícias aparecem no Jornal Nacional e os apresentadores mantêm a mesma cara estática de sempre. Tá todo mundo drogado ou eu ando sensível demais? Será quem ninguém percebe o absurdo das coisas? O inusitado? O surreal? A realidade está deixando Salvador Dali e Kafka estupefatos.

Vivemos uma Síndrome de Estocolmo generalizada. Para os que desconhecem, esta síndrome identifica o amor que se estabelece entre os seqüestrados e os seqüestradores no cativeiro. No dia 23 de Agosto de 1973, três mulheres e um homem ficaram seis dias reféns de bandidos, em um assalto a um banco de Estocolmo. Para a surpresa de todos, os reféns desenvolveram uma relação afetiva com os bandidos. Desde então, chama-se Síndrome de Estocolmo a essa identidade afetiva que se cria nos raptados pelos seus raptores.

Sílvio de Abreu já comentou em uma entrevista que os heróis andavam em baixa. O povo queria era anti-heróis e bandidos como protagonistas das novelas. Estes é que são admirados e imitados. Se o vice-presidente de um Tribunal Regional Federal se junta aos bandidos, e até um Ministro do STJ está envolvido, de que modo poderá o Estado passar aos cidadãos a confiança nas instituições? Salve-se quem puder, e coitadinhos de nós os que tentamos ser éticos e razoáveis. Idiotas de nós, virando motivo de chacota nos altos escalões. Pobres de nós que acreditamos na justiça, na polícia, no governo, na escola, nas igrejas, nos rabinos, nos padres. Bobinhos! Idiotas! Palhaços! Burros! Ignorantes!

De que adiantam as passeatas pela paz, os conselhos pela honestidade, os temas transversais nos programas dos colégios, o discurso dos valores, os proclamas morais, a perda de tempo com novas leis?

De que adiantam os argumentos em favor da justiça se os desembargadores e procuradores, se a polícia e os delegados, ficarão rindo da lei enquanto combinam a propina com os infratores de todos os tipos? Anos estudando Direito, duas semanas pesquisando, você até fez doutorado sobre o tema, escreveu uma tese toda numa petição e ... o desembargador vai deferir ou indeferir o pedido segundo o interesse de seu bando.

Um budista bate num monge durante uma meditação. Um dos princípios essenciais do budismo é a não-violência. Foi o estopim para a degringolação, para a chacota, para a suruba, para o pastiche. Tudo culpa do monge.

Alguém tem um último fósforo pra a gente achar a porta? Vou-me embora pra Pasárgada. Talvez lá as pessoas andem menos zen.

Sobre o Autor

Pablo Morenno: Pablo Morenno nasceu em 21.05.1969, em Belmonte, SC, e mora em Passo Fundo, RS. É licenciado em Filosofia e bacharel em Direito. Também é professor de Espanhol em cursinhos pré-vestibular, músico e servidor público federal do Tribunal Regional do Trabalho/4ª Região, e pinta nas horas vagas. Escreve uma coluna semanal de crônicas no jornal O Nacional, de Passo Fundo RS, e Nossa Cidade de Marau-RS. Colabora com os jornais Zero Hora, Direito e Avesso, e com sites de leitura e literatura. É Membro da Academia Passofundense de Letras, ocupando a cadeira cujo patrono é Érico Veríssimo. Como animador cultural e escritor, participa de projetos de leitura do IEL- Instituto Estadual do Livro do RS e de eventos literários no Rio grande do Sul e Santa Catarina. Com suas palestras interdisciplinares e descontraídas, utilizando-se de histórias e da música, conversa com crianças, jovens, pais, professores e idosos sobre a importância da leitura e da arte na vida.

Livros publicados: POR QUE OS HOMENS NÃO VOAM? Crônicas, WS Editor e MENINO ESQUISITO, Poesia Infantil, WS Editor. Contato com o Autor: Pablo Morenno

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