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A memória de Thoreau

por Efraim Rodrigues *
publicado em 20/09/2004.

Há 150 anos, um aluno de Harvard abandonou sua casa em Concord -MA, uma pequena cidade nas vizinhanças de Boston, para ir morar à beira de um lago, alguns quilômetros distante. A casa dele não era, como você talvez esteja pensando, uma mansão. Muito pelo contrário, era uma choupana minúscula, com uma pequena lareira, uma escrivaninha e uma cama.

Apesar de aparentemente banal, este ato revestiu-se de um enorme significado filosófico e cultural nas décadas seguintes, para várias gerações de ambientalistas.

Thoreau pregava a simplicidade em uma hora em que tudo estava se complicando. Pregava a natureza quando tudo era artificial.

Mas como tudo era artificial há CENTO E CINQUENTA ANOS ? E agora é o que?

Por incrível que pareça, hoje a vida é menos artificial do que naquela época naquela região dos Estados Unidos, porque apesar do telefone celular e impressora laser, hoje nós valorizamos mais o natural. Na época de Thoreau, a cobertura florestal da Nova Inglaterra era a menor de toda a sua história, depois só fez crescer. Mesmo para nós que moramos longe da Nova Inglaterra, a natureza é hoje algo pelo qual as pessoas estão dispostas a pagar. Uma casa com gramado, silêncio e uma bela vista, custa mais caro.

Thoreau
foi o primeiro crítico do sistema que nos força a trabalhar insanamente para comprar coisas que não são exatamente necessárias. A sua simplicidade ia a ponto de limitar até os livros que possuía. Uma estante de dois metros (sete pés) de comprimento, nem mais, nem menos. Este era seu lema.

A contabilidade dos gastos para construir sua choupana no lago Walden foi cuidadosamente descrita no livro que leva o mesmo nome. A mensagem é que dá para viver com bem pouco.

Os efeitos da simplicidade de Thoreau não se resumem ao indivíduo. Quando cada um viver mais simples, com menos carros, embalagem, papel e plástico, todos vão poder viver melhor.

O meu caminho se cruzou com o de Thoreau várias vezes. Na primeira delas, quando eu fui apresentado a ele, eu achei a estória toda meio supervalorizada. Afinal, o cara saiu de casa e construiu um barraco a dois quilômetros de casa. E daí ?

E daí que os hippies só iriam aparecer cento e tantos anos depois !

Thoreau já vivia, 150 anos atrás, de um modo que ainda hoje a maioria das cabeças não consegue alcançar. Gaste menos, viva para o que realmente faz sentido e seja mais feliz.

O meu caminho se cruza com o de Thoreau todo mês, quando recebo meu salário. Thoreau escreveu um livro chamado desobediência civil, em que prega que o indivíduo não precisa obrigatoriamente fazer parte do estado. Como se as pessoas virassem para o governo e falassem; - Eu não pago imposto, mas vocês também não me dão nada. Que tal ? A bem da verdade, já vivemos esta situação. Só falta deixarmos de pagar o imposto. E foi exatamente o que ele fez. Foi preso por causa de uns poucos dólares e lá ficou. Teimou tanto que um amigo acabou pagando, mas sob protesto.

A última vez que o meu caminho cruzou com Thoreau foi uns anos atrás, quando eu visitava o lago Walden, a choupana , o museu e tudo mais. Fazia um calor medonho, grudento e pastoso. Não tinha o que beber, e eu sonhava com uma melancia gelada. Uma melancia gelada, alí ? Espere sentado…

Dois minutos depois, passa um pessoal com um megafone:

- Grande festival Thoreau ! Venha comer melancia gelada de graça e fazer uma homenagem a memória de Henry David Thoreau ! Parece coisa de filme, mas eu juro que é verdade !

A memória de Thoreau tem muito a ver com as melancias que ele plantava no verão da nova Inglaterra e doava para as pessoas no começo do outono.É um ato simples, mas que faz a diferença.

Sobre o Autor

Efraim Rodrigues: Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é doutor pela Universidade de Harvard, Professor Adjunto de Recursos Naturais na Universidade Estadual de Londrina, Consultor do Programa Fodepal da FAO-ONU e Editor da Editora Planta, sem fins lucrativos.

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