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ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA estréia na literatura infantil com A FESTA DE TATI

por Chico Lopes *
publicado em 12/08/2008.

- O lançamento será no dia 4 de setembro, às 17h, na 27ª Feira do Livro de Brasília, no Térreo do Pátio Brasil, Estande da Arco Iris Distribuidora -

A escritora Rosângela Vieira Rocha, nascida em Inhapim, MG, e residente em Brasília, onde é professora da Faculdade de Comunicação da UnB (ela também escreve crônicas no Portal da UnB), está dando um novo passo em sua carreira de escritora, entrando agora na seara dos livros infantis.

Rosângela já recebeu o Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG de 1988 de romance para a novela "Véspera de lua" e teve sua novela "Rio das Pedras" como vencedora da Bolsa Brasília de Produção Literária 2001. Participou também da "Antologia do Conto Brasiliense" (2004), organizada por Ronaldo Cagiano, e "Mais trinta mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira" (2005), organizada por Luiz Ruffato. Também teve lançado um livro de contos, "Pupilas ovais", pela LGE Editora, de Brasília, em 2005.

O seu novo passo registra uma preocupação com o universo infantil, focalizando um personagem marcado pela diferença, e ela fala disso e muito mais em entrevista concedida com exclusividade para o Verdes Trigos.


Chico Lopes : - Sua estréia em literatura infanto-juvenil está se dando com "A festa de Tati", que traz uma mensagem especial, na verdade, para crianças que experimentam o problema da diferença. O que a fez escolher esse tema?

Rosângela Vieira Rocha: Certa vez, num shopping de uma das maiores capitais brasileiras, entrei num elevador junto com um casal que empurrava uma menina de uns cinco, seis anos, numa cadeira de rodas. Percebi que todos - e o elevador estava cheio, era horário de almoço - olharam, a um só tempo, para a cadeira e não desgrudaram os olhos até a parada do elevador, no térreo. Os pais ficaram incomodados, nervosos, seus rostos revelavam isso.

A mãe até suspirou de alívio, quando saiu. Esse episódio me impressionou e pensei nisso durante muito tempo. A gente sempre ouviu falar da famosa "crueldade infantil". Mas será que essa "crueldade" não seria, na verdade, um reflexo da crueldade dos adultos? Se estes fossem menos preconceituosos e tivessem um olhar mais compassivo para o outro, para o diferente, as crianças não tenderiam a imitá-los? A história narrada no livro foi escrita com base nessa dúvida, ou melhor, nessa inquietação.

A personagem principal, Tati, é uma menina com necessidades especiais que só deseja ser aceita como ela é de verdade, com as fragilidades que possui. Parece uma questão simples, mas na prática, não é. Num país grande como o nosso, imagine quantas Tatis existem, desejando apenas exercer o direito constitucional, sagrado, de obter o respeito de seus semelhantes. É um problema muito doloroso, que atinge a criança com necessidades especiais e toda a sua família, seus amigos...

Chico Lopes: - Você tem uma trajetória de escritora adulta, com duas novelas de abordagem realista, premiadas, "Véspera de lua" e "Rio das pedras", e depois publicou os contos de "Pupilas ovais". Como foi que se interessou por literatura infanto-juvenil? A passagem de um tipo de literatura a outro se dá como - de forma natural, ou há ajustamentos penosos? Já produziu outros textos, além do "A festa de Tati"?

Rosângela Vieira Rocha: - É interessante essa pergunta. Sabe que não sinto uma diferença significativa entre escrever para adultos e para crianças? Para mim, existe literatura, nada mais. Ela é suficientemente ampla e complexa para abarcar todos os gêneros, todos os públicos. Por isso, acho natural escrever para crianças também. A idéia para uma história infantil surge da mesma maneira que surgem as histórias para adultos, ou seja, a partir de um pensamento, de uma lembrança, uma atitude, um simples gesto de alguém levar a mão à boca, enfim... O único "ajuste" que faço é em relação à linguagem, muito mais do que em relação à história propriamente dita, isto é, ao enredo. Mas isso vem naturalmente, sem grande dificuldade.

Quanto à segunda parte da sua pergunta: sim, tenho três textos infantis prontos, inéditos. Por um deles, inclusive, sinto um especial carinho, trata-se de um conjunto de poemas sobre dias de santos e heróis, mais de heróis que de santos, de dez estrofes cada um, em redondilha maior, que me deu muito trabalho e cujo resultado me agradou bastante.

Chico Lopes : - Como vêa literatura infanto-juvenil no Brasil, em geral? Há autores que a interessaram em particular e alguns que podem tê-la influenciado?

Rosângela Vieira Rocha: - Essa questão das influências - e você sabe disso, pois também é escritor - é realmente muito complicada. Acho que todos os livros que um escritor leu na vida o influenciaram e continuarão a influenciar, enquanto ele viver. Na maioria das vezes, não há uma consciência clara dessas influências, o que não significa que não existam. Afora os livros que li quando criança, não posso dizer que tenha lido muitas obras infanto-juvenis.

Até porque eu não acompanhava a literatura dirigida a esse público, até que meu interesse foi despertado, nos últimos anos. Não saberia exatamente dizer por que razão. Acho que no Brasil se produz, atualmente, muita literatura infanto-juvenil de boa qualidade. Não gostaria de citar nomes, para não ser deselegante...

Chico Lopes: - Alguns autores adultos de histórias infantis costumam dizer que usam a criança que há neles para escrever histórias para outras crianças, supondo, com isso, que obtenham a empatia desejada com o público a que os livros se dirigem. Éo seu caso? O que a inspira, nesses casos? Uma criança que há em você ou outras crianças?

Rosângela Vieira Rocha: - Creio que tanto a criança que há em mim quanto as crianças reais me inspiram. Fui uma menina muito reflexiva, leitora de Cecília Meireles, da Condessa de Ségur e da revista do Bolinha, interessada pela vida dos adultos, com muita vontade de entender o mundo. Embora criada numa cidadezinha do interior de Minas, era medrosa, não conseguia subir em árvores, à exceção de goiabeiras, não entrava no rio, não gostava de esportes, fugia de cachorros, nunca fui uma criança levada. Na verdade, vivia inventando histórias e letras loucas de música, que chamava de operetas, sem saber direito o que isso significava, organizava bailados, teatrinhos, e sobretudo lia o que me caísse nas mãos; as opções eram poucas, pois na cidade não havia nem biblioteca nem livraria. Um dos primeiros livros que li, imagine, e que continuo relendo até hoje, pois o adoro, foi "Orgulho e preconceito", de Jane Austen, que uma das minhas irmãs estava lendo. Talvez por isso, além de personagens reflexivas, parecidas comigo quando era menina, goste de criar outras, levadas, bem peraltas mesmo, que de alguma forma realizem aquilo que não fui.

Chico Lopes: - Você teve um romance adulto, "Fome de rosas", escolhido entre os que recebem apoio do FAC de Brasília para publicação em 2008. De que trata ele? O projeto envolve um personagem feminino particularmente problemático. Pode nos falar disso?

Rosângela Vieira Rocha: "Fome de Rosas", entre outras questões, trata das dificuldades das relações familiares. A história se inicia com o enterro de Lisandro, o pai, que deixa viúva, Ariadne, e duas filhas, Alice, de 14 anos, e Letícia, de vinte e um. A partir desse acontecimento traumático, Alice desenvolve anorexia e bulimia. A filha mais velha casa-se e se muda para o exterior, enquanto a mãe, sem condições psicológicas para isso, fica sozinha com a caçula. A história se desenvolve a partir do núcleo familiar, mas é também um conjunto de histórias de três mulheres, de faixas etárias diferentes, enfrentando os problemas inerentes a cada uma dessas faixas. A solidão e a incomunicabilidade de Alice permeiam a vida das demais personagens, nenhuma delas heróica, nenhuma delas exemplar, mas todas elas dotadas de uma grande humanidade.

Para escrever essa história, procurei inteirar-me da literatura médica sobre anorexia e bulimia, li tudo o que pude, não há muitos livros em português, sobre o assunto. Além disso, visitei os blogues das meninas anoréxicas e bulímicas, fiquei espantada com a quantidade de sites existentes, onde elas falam, abertamente, sobre o cotidiano de quem padece dessas doenças, lamentavelmente reforçadas pelos padrões estéticos, completamente irreais e inalcançáveis, da sociedade atual.


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Serviço
A FESTA DE TATI
Franco Editora (Juiz de Fora, MG)
Preço: 18 reais
Páginas: 16
Ilustrações: Neli Aquino

Sobre o Autor

Chico Lopes: Chico Lopes é autor de dois livros de contos, "Nó de sombras" (2000) e "Dobras da noite" (2004) publicados pelo IMS/SP. Participou de antologias como "Cenas da favela" (Geração Editorial/Ediouro, 2007) e teve contos publicados em revistas como a "Cult" e "Pesquisa". Também é tradutor de sucessos como "Maligna" (Gregory Maguire) e "Morto até o anoitecer" (Charlaine Harris) e possui vários livros inéditos de contos, novelas, poesia e ensaios.

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Francisco Carlos Lopes
Rua Guido Borim Filho, 450
CEP 37706 062 - Poços de Caldas - MG

Email: franlopes54@terra.com.br

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